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A Sabedoria de Calar: O Silêncio, a Humildade e o Polir da Pedra Bruta


O silêncio, tão ausente hoje, é a primeira virtude ensinada ao Aprendiz Maçom, que aprende a calar para ouvir e desbastar sua pedra bruta. Na Maçonaria, ele é a ferramenta contra a maledicência e o julgamento precipitado, males que o texto aponta como um hábito de falaro que não se deve. No Espiritismo, essa mesma quietude é a base da conexão; é o silêncio da prece e da meditação que afasta as palavras vazias. É ele que permite a sintonia com as inspirações do Alto. O espírita busca a reforma íntima através da caridade e o maçom o autoconhecimento através do simbolismo. É no silêncio do orgulho que ambos encontram a humildade necessária para essa jornada. O silêncio das ingratidões, como diz o texto, desperta no iniciado a piedade. E, por fim, é dessa quietude reflexiva que brota a verdadeira ação no bem, objetivo central tanto do espírita quanto do maçom. Eis o texto: 


O silêncio faz grande falta na civilização contemporânea. Fala-se em demasia, e, por conseguinte, fala-se do que não se deve, não se sabe, não convém, apenas pelo hábito de falar. Na falta de um assunto edificante, ou indiferentes para com ele, as pessoas se utilizam de temas negativos, prejudiciais ou sórdidos, denegrindo a própria alma, insultando o próximo e consumindo energias valiosas. 


Há uma preocupação excessiva em falar, opinar, mesmo quando se desconhece a questão. Parece de bom-tom a postura de referir-se a tudo, e de a respeito de tudo estar a par. Aumenta, assim, a maledicência, confundem-se as opiniões, e entorpecem-se os conteúdos morais das palavras. Se cada pessoa falasse apenas o necessário e no momento oportuno, haveria um salutar silêncio na Terra. Não o silêncio da indiferença, do descaso, da passividade, mas o silêncio do respeito, das conclusões não precipitadas, das análises mais completas sobre as coisas. 


Sabemos tão pouco da vida alheia para opinar com acerto, para desenvolver uma crítica, para julgar. Somos meros aprendizes de todas as áreas do conhecimento, para emitir opiniões sobre tudo. Somente o silêncio nos ensinará a ouvir mais, a desenvolver a virtude da humildade, essa que nos faz compreender que, mesmo sendo sábios em muitas áreas, temos muito ainda a aprender. 


Somente o silêncio poderá nos abrir a alma para as inspirações do Alto, para escutar os bons conselhos, as orientações salutares, que surgem nos momentos de meditação e oração. Somente o silêncio no Espírito propiciará que contemplemos uma obra de arte, sentindo-a em todas as suas nuances. 


Somente o silenciar das ingratidões que sofremos, conseguirá fazer com que entremos no sentimento do próximo, despertando em nossos corações a piedade, que em seguida irá se converter em ação no bem. Somente o silêncio das palavras vazias poderá dar lugar ao canto magnífico da oração, às vozes que brotam de nosso coração.


Referência: 

Texto retirado do livro: Momentos de coragem. 
pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed Leal.





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