sexta-feira, 4 de maio de 2018

Julgar Aparências na maçonaria.


Vejo muitos irmãos sendo julgados pela aparência. Esses julgadores são os ditos maçons interesseiros, uma triste ramificação de “projeto de maçom”. 

Sempre com seus interesses escusos, muitos deles vão atrás de cargos de “destaque”, porque não possuem moral para serem respeitados verdadeiramente.

Será que o paletó cheio de medalhas é sinônimo de virtude? Enquanto isso, deixam de fortalecer amizade com irmãos, exemplos de bom caráter, unicamente devido eles usarem modestas vestimentas ou pelo comportamento sereno. Reflitamos em uma mensagem espírita sobre este assunto: 


Passaste por mim com simpatia, mas quando me viste os olhos parados, indagaste em silêncio por que vagueio na rua.

Talvez por isso estugaste o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca.

É possível tenhas suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina em oficina....

Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade, e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.

Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrine, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor...
Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a idéia do furto, apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.

Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo, não tive coragem de explicar-lhes que não tomo qualquer alimento há três dias...

A ti, porém, que me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação.
Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver.

Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.



Mensagem do homem triste.
Meimei - Psicografia de Chico Xavier.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Entender como ser virtuoso. Valioso alerta nas lides maçônicas.


Luc. 18:9-14

9. Disse também esta parábola, para aqueles que confiam em si mesmos, que são justos, e desprezam os outros: 
10. "Dois homens subiram ao templo a orar, um fariseu e o outro cobrador de impostos. 
11. O fariseu, de pé, dentro de si orava: Deus, agradeço-te porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como esse cobrador de impostos; 
12. jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 
13. O cobrador de impostos, todavia, de pé ao longe, não queria nem sequer erguer os olhos para o céu mas batia no peito, dizendo: Deus, sê propício a mim, um errado. 
14. Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, mas não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado".

Analisando etimologicamente a palavra “virtude”, vemos que é derivada do latim VIRTUS que, por sua vez, deriva de VIR (homem, varão, o elemento forte). E VIR é proveniente de VIS, a "força", da raiz VI, que também dá viril, violência, etc.

Então, "virtude é a qualidade de quem tem força", sobretudo moral. Analisando a virtude do ponto de vista evolutivo, verificamos que, enquanto a criatura tem que “fazer força" para evitar o erro, o desvio do caminho certo, isso demonstra que ainda não evoluiu. Por exemplo: "não roubar" consiste em não tirar materialmente o que nos não pertence, embora se morra de vontade de fazê-lo; "castidade" é não ter contato físico corporal, ainda que os desejos mentais e emocionais sejam incontrolados; "ser religioso" é frequentar, em dias prefixados, a casa de oração com o corpo, mesmo que a mente permaneça distante e, ao sair de lá, as ações demonstrem que não somos nada religiosos.

E assim por diante. A criatura que assim age, se julga "virtuosa", porque "faz força" para adquirir bons hábitos e, geralmente, consegue praticá-los com sacrifício. Fazer força para melhorar não é um mal. Absolutamente. Constitui antes um grande benefício para o próprio, pois é esse exercício constante de vencer as inclinações erradas, que nos vão acostumando a não gostar delas. Assim, depois de várias encarnações que vivemos a fazer esforços continuados de virtude, acabamos acostumando-nos e forma-se então o hábito. Esse hábito plasma, no subconsciente, o instinto.

 Uma vez formado este, e quando agimos certo naturalmente, sem esforço e sem sequer pensar nisso, então teremos dado um passo evolutivo à frente. Deixaremos de ser "virtuosos", para sermos "naturais" ou espontâneos, já que o hábito bom se tornou parte integrante de nossa natureza íntima. Portanto, o esforço despendido para ser "virtuosos" (forte moral e espiritualmente) é exercício de suma vantagem no caminho evolutivo.

O erro da criatura reside em julgar que, por estar combatendo em si as más inclinações, já é evoluída, acreditando-se, por isso, superior aos outros e desprezando-os, e até mesmo evitando-lhes a companhia "para não se misturar" e não ser confundido com eles. O que também pode constituir uma "defesa" para quem não está muito seguro consigo mesmo.

 Mesmo inconscientemente, a criatura "virtuosa" se compara aos outros, chegando à conclusão de que "já é diferente" e, por esse motivo agradece a Deus; ao passo que a criatura evoluída não se compara a ninguém, porque não se vê perfeita, nem repara nos outros, porque não tem tempo para isso.

Ora, a vibração da vaidade presunçosa é pior que o próprio erro em si. Porque a vaidade é a vibração oposta à humildade divina. O erro, trazendo vergonha, desperta a humildade, o que aproxima da sintonia do Sistema. A vaidade afasta deste e leva a sintonizar com o pólo negativo: Anti-Sistema, matéria.

Por isso, o cobrador de impostos, ao pedir misericórdia para seus erros, saiu do templo justificado, porque sintonizado com a humildade. Para o fariseu todos os homens eram ladrões, injustos e adúlteros. Para o cobrador de impostos só havia preocupação consigo mesmo, a fim de pedir compaixão para seus erros.

No livro da Lei, lê-se, "os errados e as prostitutas precederão os sacerdotes no reino de Deus" (Mat. 21:31), não porque sejam melhores, mas porque são humildes, ao passo que os sacerdotes possuem a vaidade do posto que ocupam. A lição é prática e se dirige especialmente aos "discípulos" das Escolas. Por terem conseguido ingresso nesses setores mais selecionados, e por terem aprendido algo mais adiantado que não é dado às massas incultas, eles facilmente são tentados a acreditar-se superiores, escolhidos, melhores, privilegiados, "iniciados" e até "mestrinhos", com todo o revestimento de vaidade que isso naturalmente traz à criatura ainda imperfeita.

Essa parábola é um alerta vigoroso, que deve manter-se sempre presente em todos os ambientes maçônicos, para evitar que grassem e cresçam o ciúme, a inveja, a emulação do orgulho, o julgar-se melhor que os outros, a crítica e as "fofocas"; em todos esses ambientes, não faria mal uma imagem em um quadro  representativo da cena instrutiva lembrando a parábola do fariseu e do cobrador de impostos. 

Porque, com os fariseus não adianta falar: eles não aceitam avisos nem conselhos; são os melhores, sabem sempre mais, têm revelações espetaculares e elogiosas de "guias" e de "mentores" astronomicamente elevados ... pois seus "mestres" são superiores a todos os mestres.


Veja também : https://espiritamacom.blogspot.com.br/2013/06/masmorras-ao-vicio.html


Bibliografia: Sabedoria do Evangelho,  6º volume. - Carlos Torres Pastorino.