Liberdade! Palavra tão pronunciada pelo homem e que, na atualidade, ganha mais força. Ser livre para quê? Eis a questão fundamental. A liberdade é tão vital quanto o ar que respiramos, mas a sua forma absoluta é de difícil alcance. Todos, indiscriminadamente, estamos sujeitos a limitações: aquelas impostas pela educação, pelas leis que garantem a convivência social e, principalmente, aquelas que nós mesmos criamos, marcadas pelo nosso passado e pelas experiências vividas.
Nossa ação é frequentemente limitada por um registro inconsciente, no âmago da nossa essência espiritual, que nos guia em nossa caminhada evolutiva. Politicamente, a liberdade é a faculdade de agir dentro dos limites do direito. Contudo, são os nossos atos morais que determinam a ampliação ou a restrição dessa liberdade. A escolha deliberada pelo vício, por exemplo, tolhe a vontade e a submete à necessidade de supri-lo, impedindo a continuidade dos atos livres. A dimensão moral, portanto, é o que permite a aquisição de um verdadeiro estado de liberdade.
Esse estado depende do livre-arbítrio, a capacidade de escolher entre o certo e o errado. Conforme nos ensina Allan Kardec, o livre-arbítrio se manifesta tanto no plano espiritual, com a escolha de nossas provas, quanto no plano corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos. O homem não é fatalmente conduzido ao mal; ele será sempre livre para agir como quiser, e seus atos determinarão seu destino.
A liberdade, contudo, não é um projeto solitário; ela floresce no terreno social e é filha da igualdade e da fraternidade. Como poderiam o egoísmo, que tudo quer para si, e o orgulho, que incessantemente busca dominar, conviver com uma liberdade que os destronaria? Esses são os verdadeiros inimigos da liberdade. Ela pressupõe confiança mútua, algo impossível entre pessoas dominadas pelo sentimento exclusivista da personalidade. Onde cada um só pode satisfazer a si próprio à custa de outrem, a dominação se torna uma condição de existência.
Enquanto os homens não se sentirem verdadeiramente irmãos, a liberdade plena será um sonho distante. As bases sociais ainda tremem porque o orgulho e o egoísmo continuam a sabotar os esforços dos homens de bem. Para construir o edifício de uma nova era, é preciso começar pela base: a fraternidade em sua mais pura acepção. E para isso, não basta decretá-la ou inscrevê-la em bandeiras; é preciso que ela habite o coração. É necessário extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo de nossas leis, instituições e, sobretudo, de nossa educação. Somente então os homens compreenderão os deveres e os benefícios da fraternidade, e os princípios da igualdade e da liberdade se firmarão sem abalos.
Instruir-se é conquistar a própria liberdade. Como disse o Mestre Jesus: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará". Aprender a Lei Divina é libertar-se. A busca pela liberdade, aliás, foi o que proporcionou a primeira Revelação de Deus ao mundo, quando Moisés guiou o povo hebreu para fora de quatro séculos de servidão. Eles trocaram a estabilidade mesquinha da escravidão pela instabilidade promissora da Terra Prometida, arriscando tudo por um sonho.
Mesmo durante a travessia, alguns sentiram saudade da servidão e dos velhos ídolos. O psicólogo Erich Fromm descreveu esse fenômeno como o "medo da liberdade", semelhante ao do pássaro que, nascido em cativeiro, não ousa deixar a gaiola aberta. Santo Agostinho, em suas "Confissões", revela que roubava frutos que já possuía apenas pelo prazer de pecar. A sublimação de seus instintos, contudo, o levou a descobrir o "Prazer de Não Pecar".
Essa é a verdadeira Liberdade. Esse é o escopo de nossa vida.
Referências:
KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.
LEI DE LIBERDADE. In: Espiritismo Cristão. Publicado em maio de 2007. Disponível em: http://espiritismocristao.blogspot.com.br/2007/05/lei-de-liberdade.html. Acesso em: 21 set. 2025.
SILVA, Alayde de Assunção; SECRON, Lúcia Maria. Intercâmbio. Pelo espírito Luiz Sérgio. 6. ed. Rio de Janeiro: Gráfica Ipiranga, 1988.

Comentários
Postar um comentário