Pular para o conteúdo principal

O maçom no mundo em desordem.

Freemason, masonry, caos, order


O maçom deve estar atento à insegurança e conflitos degenerativos no mundo. Um sentinela do mundo em desordem, porque sua luz o obriga a estar vigilante. Ele vigia um mundo obscurecido porque o caos (conflito e insegurança) ameaça a ordem (a construção). Tendo a luz, ele tem o dever de permanecer vigilante.  Ele não pode se dar ao luxo da ignorância.

Ao contrário do mundo profano, que vive na escuridão ou na confusão, o sentinela tem a clareza para enxergar o avanço da insegurança e dos conflitos degenerativos. Ele vê a degeneração, a quebra da moral, da razão e da fraternidade, com mais clareza. Guarda, assim, os valores da Ordem (Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Razão) contra o avanço do Caos (o mundo desordenado). Se o Maçom trabalha para polir a Pedra Bruta (o indivíduo), o mundo em desordem é o que acontece quando as pedras são brutas, mal ajustadas e a estrutura social desmorona.

Eis que, enquanto o mundo lá fora se degenera em conflitos, o maçom, em Loja, preserva o Conhecimento, o Método e a Fraternidade necessários para, quando o caos passar, ser o primeiro a começar a reconstruir.

Este texto, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, faz um diagnóstico profundo da sociedade contemporânea, descrevendo-a como um sistema em colapso, onde tradições, política e valores éticos estão esboroando-se. A causa raiz de todo esse caos, segundo o autor, não é política ou econômica, mas sim o desequilíbrio do indivíduo. A insegurança pessoal é o motor que alimenta as crises de autoridade, a corrupção, a maledicência e a desumanização. O autor traça as origens dessa insegurança a traumas profundos, desde o nascimento ou até mesmo a vida fetal, como a rejeição materna, e notavelmente, a fatores espirituais. Ele aponta que as reencarnações anteriores malogradas deixam marcas no perispírito, tornando o homem um ser inacabado. Em vez de lidar com essa insegurança, o indivíduo busca uma falsa solução na tese do "ter" (possuir), "poder" e "parecer" (aparência). Isso cria uma sociedade superficial, de fuga da realidade e relações falidas. A predominância do egoísmo e do personalismo é identificada como a força destrutiva; o indivíduo inseguro não coopera, apenas compete, tornando-se um inimigo oculto que bloqueia o progresso. A verdadeira solução proposta é uma mudança de paradigma: focar no "ser" antes do "ter". Isso exige autodescobrimento e coragem para enfrentar os conflitos íntimos. O texto sugere terapias, incluindo a Psicologia Espírita, para lidar com fenômenos obsessivos que agravam o quadro. A cura da sociedade, o macrocosmo, depende, portanto, da harmonização do homem consigo mesmo, o microcosmo.


No livro, “O homem integral”, é mencionado um diagnóstico sombrio da sociedade contemporânea, descrevendo-a como um sistema em pleno colapso. O autor afirma que as velhas estruturas, como a tradição e até mesmo o autoritarismo, estão ruindo sob o impacto das revoluções e da tecnologia. No entanto, o que as substitui não é o progresso, mas sim o desequilíbrio e a anarquia, liderados por aventureiros desalmados e políticos corruptos e efêmeros ("triunfadores de um dia"). Há uma crítica severa à hipocrisia generalizada, onde os direitos humanos são violados por aqueles que deveriam defendê-los. As transformações sociais são como em velocidade ciclópica que não há tempo para assimilação, gerando apenas modismos. O autor critica tanto os velhos dogmas quanto as novas ideias liberais revolucionárias, argumentando que ambas falham em unir as pessoas, apenas gerando ódios. O ponto crucial do diagnóstico é que toda essa desordem externa é consequência direta do desequilíbrio do indivíduo. É essa insegurança interna que fomenta as crises visíveis na sociedade: a crise de autoridade, de respeito e de valores éticos. O resultado final é a desumanização do homem, que, perdido, se entrega à volúpia do prazer e da violência.

Joanna de Ângelis aprofunda a análise da crise social, detalhando seus sintomas devastadores: a desconfiança generalizada, a agressividade atrevida e a falência da educação, onde "coisas" substituem "amor, presença e companheirismo" no que a autora chama de "sórdidos mecanismos de chantagem emocional". A crise de autoridade é exposta como a raiz da corrupção sistêmica, onde os maus exemplos dos líderes favorecem a desonestidade e a insegurança geral. O autor nota que nem os valores espirituais escapam, sofrendo uma crise de pastores marcada por disputas, maledicência ácida e estrelismo.

A tese central é que "o homem apresenta-se doente"; a sociedade desestruturada é apenas o corpo grupal desse indivíduo inseguro. O texto então investiga a origem dessa insegurança individual, traçando-a a traumas profundos que começam no parto ou até na vida fetal, como a revolta da gestante contra uma gravidez indesejada. Essa insegurança é agravada pela falta de afeto genuíno, substituído por pessoas remuneradas, sem envolvimento emocional, gerando marcas profundas de abandono.

Contudo, a autora aponta uma razão preponderante para o desequilíbrio: as reencarnações anteriores malogradas. Os traumas e golpes violentos que o Espírito sofreu ou praticou em vidas passadas ficam arquivados no inconsciente profundo através dos mecanismos sutis do perispírito, moldando o comportamento inseguro e desestruturado do presente.

O homem é definido como um "ser inacabado", cuja meta existencial é o aperfeiçoamento, mas que se torna uma peça mal colocada na vida social devido à sua insegurança. Critica-se duramente a tese central da sociedade consumista: a ideia falsa de que a segurança pessoal vem do "ter", do "poder" e do "parecer". Ao focar apenas no "exterior", o homem ignora sua realidade intrínseca e seu sentido ético.

Desacostumado a conviver consigo próprio e seus limites, o indivíduo mascara-se com as fantasias da aparência e da posse. Este fracasso interno é a causa direta do colapso das relações: uniões fraternais se desarticulam, o matrimônio naufraga e o convívio social se transforma em mecanismos de fuga da realidade (excessos alcoólicos, tóxicos e orgíacos).

A única solução, segundo a autora, é uma reestruturação da educação e da psicoterapia focada na consciência de "ser, antes de ter" e "ser, ao invés de poder". A verdadeira segurança íntima só é alcançada pelo autodescobrimento e pela humanização. Sem ela, o homem vive em constantes guerras íntimas, uma insegurança que se reflete na liderança dos violentos e na divisão da sociedade em grupos opostos que se armam e se agridem.

E continua em seu texto, na íntegra: 

“O homem ainda não aprendeu a ser solidário quando não concorda, preferindo ser solitário, ser opositor. Certamente, a renovação é lei da vida. A poda faculta o ressurgimento do vegetal. O fogo purifica os metais, permitindo-lhes a moldagem. A argila submete se ao oleiro. A vida social é resultado das alterações sofridas pelo homem, seu elemento essencial. É necessário, portanto, que se dê a transformação, a evolução dos conceitos, o engrandecimento dos valores. Para tal fim, às vezes, é preciso que ocorra a demolição das estratificações, do arcaico, do ultrapassado. 

Lamentavelmente, porém, nesta ação demolidora, a revolta contra o passado, pretendendo apagar os vestígios do antigo, vai-lhe até as raízes, buscando extirpá-las. O homem e a sociedade, sem raízes não sobrevivem. No começo, o paganismo greco-romano era uma bela doutrina, rica de símbolos e significados, caracterizando o processo psicológico da evolução histórica do homem. O abuso, mais tarde, fê-lo degenerar, e a Doutrina cristã se apresentou na forma de um corretivo eficaz, oportuno. A dosagem exagerada, porém, terminou por causar danos inesperados, no largo período da noite medieval, da qual algumas religiões contemporâneas ainda padecem os efeitos negativos. O mesmo vem acontecendo com a sociedade que, para livrar-se das teias da hipocrisia, da hediondez, dos preconceitos, da vilania, da prepotência, elaborou os códigos da liberdade, da igualdade, da fraternidade, em lutas sangrentas, ainda não considerados além das formulações teóricas e referências bombásticas, sem repercussão real no organismo das comunidades humanas em sofrimento. 

As recentes reações culturais contra a autenticidade da conduta têm produzido mais males que resultados positivos. Em nome da evolução, sucedem-se as revoluções destrutivas que não oferecem nada capaz de preencher os espaços vazios que causam. A insatisfação do indivíduo fustiga e perturba o grupo no qual ele se localiza, sendo expulso pela reação geral ou tornando-se um câncer em processo metastático. Facilmente o pessimista e o colérico contaminam os desalentos, passando-lhes o morbo do desânimo ou o fogo da irritação, a prejuízo geral. Armam-se querelas desnecessárias, altera-se a filosofia dos partidos existentes, que se transferem para a agressividade, as acusações descabidas, sem trabalho à vista para a retificação dos erros, a reabilitação moral dos caídos, para o bem-estar coletivo. 

Cada pequeno grupo dentro do grupo maior, sem consenso, busca atrapalhar a ação do adversário, mesmo quando benéfica, porque deseja demonstrar lhe a falência, movido pelos interesses personalistas, em detrimento do processo de estabilidade e crescimento de todos. O personalismo se agiganta, as paixões servis se revelam, o idealismo cede lugar à vileza moral. A predominância do egoísmo em a natureza humana faz-se responsável pelo caos em volta, no qual os conflitos degenerativos da sociedade campeiam. Surgem as plataformas frágeis em favor do grupo desde que sob o comando e a alternativa única do ególatra, que alicia outros semelhantes, que se lhe acercam, igualmente ansiosos por sucessos que não merecem, mas que pleiteiam. Inseguros, incapazes de competir a céu aberto, honestamente, aguardam na furna da própria pequenez, por motivos verdadeiros ou não, para incendiarem o campo de ação alheia, longe dos objetivos nobres, porém reflexos dos seus estados íntimos conflituosos.”

Por fim, a autora descreve o indivíduo em conflito como um inimigo oculto, motivado pela inveja, que atua com astúcia para bloquear o progresso social. Por insegurança pessoal e falta de idealismo, ele ataca as pessoas, não as ideias, pois seus conflitos internos o motivam a competir, não a cooperar. O autor define este conflito íntimo como uma “matriz cancerígena" que ameaça todo o grupo social.

A cura exige que o homem tenha coragem para o autoconhecimento, ou que busque alguém capacitado. O texto é explícito ao sugerir terapias como a Psicologia Transpessoal e, notavelmente, a Psicologia Espírita, vendo-as como essenciais para aclarar os fenômenos obsessivos que geram os problemas degenerativos. Concluindo com uma responsabilidade mútua: o conglomerado social tem o dever de auxiliar o indivíduo, pois a sociedade (o "macro") só alcançará o equilíbrio quando o homem harmonizar seu "cosmo individual" (o "micro").

Referência: 

FRANCO, DIVALDO. O Homem Integral: série psicológicaJoanna de Angelis vol 2. 21.ed. Salvador: editora Leal, 2015.




 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nível, Prumo e o Ser Consciente

Generalizando informações acerca da simbologia maçônica do nível e do prumo, exprimem que a retidão, em termos práticos na jornada da vida e o conhecimento intelectual e moral são alguns dos meios de conseguir superar tendências e inquietações que tanto afligem o homem. Na Maçonaria, os homens são considerados iguais perante as leis naturais e sociais, sendo que, simbolicamente, é através do Nível que esta igualdade é verificada. É somente através da igualdade, proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais, que a fraternidade torna-se possível de ser alcançada. Em suma, o papel do Nível é controlar a força criadora do homem, direcionando sua vontade para propósitos úteis. Simbolicamente, o Prumo possibilita verificar a correta fundamentação do crescimento intelectual, trazendo o conhecimento necessário para possibilitar a aplicação precisa da força através da razão, denotando a profundidade exigida para nossas observações e estudos, de forma a garantir...

O maçom na escada de Jacó. Em qual degrau você está ?

                                                           Há irmãos que preocupam-se mais em galgar os graus maçônicos e esquecem que o mais importante é galgarem os degraus da Escada de Jacó, que simbolicamente representa para a maçonaria o caminho certo para o irmão seguir. Só conseguirão o intento se subirem com fé e praticar a caridade onde a mão esquerda não saiba o que fez a direita. E como sabemos, que há irmãos de diferentes graus evolutivos neste mundo, é compreensível que muitos se encontrem ainda em degraus ainda baixos da escada. Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição a que tenham alcançado: Espíritos puros, que atingiram a perfeição máxima; bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas pa...

O ramo de acácia amarela e o ramo de videira.

Algumas semelhanças entre o significado simbólico maçônico da acácia amarela e o ramo de videira, acepção simbólica do espiritismo.       A Acácia foi tida  na antiguidade, entre os hebreus, como  árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A Acácia é  inicialmente um símbolo da verdadeira Iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura. O ramo da acácia amarela,representa a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza. Esperando-se do maçom, uma conduta pura.          O desenho de uma cepa, com a uva, aparece no frontispício de O Livro dos Espíritos, um clichê que reproduz o desenho feito pelos próprios Espíritos, em Prolegómenos, prólogo por eles assinado: Santo Agostinho, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, dentre outros que informaram:  “ Porás no ca...