segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O maçom na escada de Jacó. Em qual degrau você está ?

                                                        
 Há irmãos que preocupam-se mais em galgar os graus maçônicos e esquecem que o mais importante é galgarem os degraus da Escada de Jacó, que simbolicamente representa para a maçonaria o caminho certo para o irmão seguir. Só conseguirão o intento se subirem com fé e praticar a caridade onde a mão esquerda não saiba o que fez a direita. E como sabemos, que há irmãos de diferentes graus evolutivos neste mundo, é compreensível que muitos se encontrem ainda em degraus ainda baixos da escada.

Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição a que tenham alcançado: Espíritos puros, que atingiram a perfeição máxima; bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.


No livro Gênesis, na Bíblia, capítulo 28, há uma passagem famosa que envolve a figura de Jacó, um dos patriarcas do povo judeu.
Certa feita, em viagem, chegando num local desconhecido, à noite, deitou-se para descansar.
Adormecendo, sonhou que a partir dali se erguia uma escada que se alongava ao céu. Anjos subiam e desciam pelos degraus sem fim.
Ao lado estava Jeová, o deus bíblico, que lhe concedeu, e à sua descendência, a terra onde repousava. E renovou a promessa de que o povo judeu haveria de se estender por toda a Terra, como o pó do chão.

A concessão não deu muito certo.
Os judeus, na maior parte de sua história, permaneceram sob domínio estrangeiro. Pior: a partir do ano 70 da Era Cristã, sob o comando do general Tito, as forças romanas arrasaram Jerusalém. Os descendentes de Jacó foram dispersados pelo Mundo.
Não eram triunfantes conquistadores, como vaticinara Jeová.
Apenas egressos de uma nação que perdera seu território.


Bastante sugestiva, nesta passagem, é a escada de Jacó a estender-se ao infinito.
Simboliza a jornada do Espírito rumo à perfeição.
À medida que desenvolvemos nossas potencialidades criadoras e aprimoramos nossos sentimentos, galgamos degraus, aproximando-nos cada vez mais do Céu, a exprimir-se na plena realização como filhos de Deus, na geografia da consciência.
Os anjos que sobem e descem a escada simbolizam os Espíritos superiores, que amparam e ajudam seus irmãos em evolução, já que a solidariedade é sua característica mais expressiva.
Por isso costuma-se dizer que a felicidade do Céu é socorrer a infelicidade da Terra.


Em O Livro dos Espíritos, na questão 97, Kardec pergunta ao mentor espiritual se há uma quantidade determinada de ordens ou graus de perfeição dos Espíritos.

O mentor responde que esse número é ilimitado.
É a mesma idéia da escada que se estende ao infinito. Impossível contar os degraus, por onde subimos rumo à perfeição.


Todos que mourejamos na Terra, somos, obviamente, Espíritos.
Uma única diferença nos distingue – estamos encarnados.
Também estamos num determinado degrau da imensa escada que nos conduzirá aos paramos celestes.
Haverá entre nós Espíritos, da Primeira Ordem, puros, perfeitos?
Houve apenas um:
Jesus.


Espíritos da Segunda Ordem, que se orientam exclusivamente pelo desejo de fazer o bem, têm transitado em número razoável pelas paragens terrestres.
São os grandes idealistas, que, não obstante suas limitações, trabalham em favor do progresso humano. Ainda que em posições de subalternidade, destacam-se pelo comportamento, empenhados em cuidar do próximo.
Muitos nem precisariam reencarnar. Deixam os patamares mais altos em que se encontram para estimular à ascensão os irmãos que se demoram em degraus mais baixos.


Perto da base situamo-nos todos nós, pobres humanos ainda orientados pelo egoísmo.
Sonhamos altos vôos de espiritualidade, mas temos os pés chumbados no chão.
Admiramos a virtude, mas não conseguimos vencer o vício.
Exaltamos a palavra mansa, mas freqüentemente caímos na expressão agressiva.
Como diz Paulo, queremos o bem, mas nos envolvemos com o mal.
Nossa evolução primária evidencia-se no trato com as pessoas que se comprometem com o crime.

Se lemos no jornal que alguém estuprou uma criança, logo pensamos que a pena de morte seria pouco para esse “monstro”, que antes deveria ser submetido às piores torturas, numa clara alusão ao olho por olho da anacrônica legislação mosaica que Jesus revogou há dois mil anos. Será que um Espírito da Segunda Ordem pensaria assim? Ou enxergaria nesse criminoso um doente necessitado de tratamento, como está no ensino evangélico?

O nosso anseio de justiça cheira a vingança.
Se alguém nos faz um desaforo, logo “soltamos os cachorros”, para “colocar o imbecil em seu devido lugar”.
Os que, por um prodígio de disciplina, silenciam, não fazem melhor, consumindo-se em rancor.

Moralmente, a escada de Jacó situa-se em nossa própria consciência.
Para galgar seus degraus até o Céu da inalterável serenidade que sustenta a alegria de viver, mister aprimorar nossos sentimentos, superar nossa agressividade própria do comportamento humano.

É algo como está numa interessante historia relatada por Daniel Goleman, em seu livro Inteligência Emocional:
Um guerreiro samurai certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
- Não passas de um rústico... não vou desperdiçar o meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada da bainha, berrou:
- Eu poderia te matar por tua impertinência.
- Isso – respondeu calmamente o monge – é o inferno.
Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominava, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação.
- E isso – disse o monge – é o céu.

Bibliografia:
Texto extraído e editado do livro de Richard Simonetti, “Espiritismo, Uma Nova Era”. Editora: FEB

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Nível, Prumo e o Ser Consciente



Generalizando informações acerca da simbologia maçônica do nível e do prumo, exprimem que a retidão, em termos práticos na jornada da vida e o conhecimento intelectual e moral são alguns dos meios de conseguir superar tendências e inquietações que tanto afligem o homem.
Na Maçonaria, os homens são considerados iguais perante as leis naturais e sociais, sendo que, simbolicamente, é através do Nível que esta igualdade é verificada.

É somente através da igualdade, proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais, que a fraternidade torna-se possível de ser alcançada. Em suma, o papel do Nível é controlar a força criadora do homem, direcionando sua vontade para propósitos úteis.

Simbolicamente, o Prumo possibilita verificar a correta fundamentação do crescimento intelectual, trazendo o conhecimento necessário para possibilitar a aplicação precisa da força através da razão, denotando a profundidade exigida para nossas observações e estudos, de forma a garantir a estabilidade da obra.

Esmagado por conflitos que não amainam de intensidade, o homem moderno procura mecanismos escapistas, em vãs tentativas de driblar as aflições transferindo-se para os setores do êxito exterior, do aplauso e da admiração social, embora os sentimentos permaneçam agrilhoados e ferreteados pela angústia e pela insatisfação.

As realizações externas podem acalmar as ansiedades do coração, momentaneamente, não, porem, erradicá-las, razão por que o triunfo externo não apazigua interiormente.
Condicionado para a conquista das coisas, na concepção da meta plenificadora, o indivíduo procura soterrar os conflitos sob as preocupações contínuas, mantendo-os, no entanto, vivos e pulsantes, até quando ressumam e sobrepõem-se a todos os disfarces, desencadeando novos sofrimentos e perturbações devastadoras.

O homem pode e deve ser considerado como sendo sua própria mente.
Aquilo que cultiva no campo íntimo, ou que o propele com insistência a realizações, constitui a sua essência e legitimidade, que devem ser estudadas pacientemente, a fim de poder enfrentar os paradoxos existenciais — parecer e ser —, as inquietações e tendências que o comandam, estabelecendo os paradigmas corretos para a jornada, liberado dos choques interiores em relação ao comportamento externo.

Ignorar uma situação não significa eliminá-la ou superá-la. Tal postura permite que os seus fatores constitutivos cresçam e se desenvolvam, até o momento em que se tornam insustentáveis, chamando a atenção para enfrentá-los.

O mesmo ocorre com os conflitos psicológicos. Estão presentes no homem, que, invariavelmente, não lhes dá valor, evitando deter-se neles, analisar a própria fragilidade, de modo a encontrar os recursos que lhe facultem diluí-los.
Enraizados profundamente, apresentam-se na consciência sob disfarces diferentes, desde os simples complexos de inferioridade, os narcisismos, a agressividade, a culpa, a timidez, até os estados graves de alienação mental.

Todo conflito gera insegurança, que se expressa multifacetadamente, respondendo por inomináveis comportamentos nas sombras do medo e das condutas compulsivas.
Suas vítimas padecem situações muito afugentes, tombando no abandono de si mesmas, quando as resistências disponíveis se exaurem.

 O ser consciente deve trabalhar-se sempre, partindo do ponto inicial da sua realidade psicológica, aceitando-se como é e aprimorando-se sem cessar.

Somente consegue essa lucidez aquele que se autoanalisa, disposto a encontrar-se sem máscara, sem deterioração. Para isso, não se julga, nem se justifica, não se acusa nem se culpa. Apenas descobre-se.

À identificação segue-se o trabalho da transformação interior para melhor,

utilizando-se dos instrumentos do auto amor, da autoestima, da oração que estimula a capacidade de discernimento, da relaxação que libera das tensões, da meditação que faculta o crescimento interior.

O auto amor ensina-o a encontrar-se e desvela os potenciais de força íntima nele jacentes.


A autoestima leva-o à fraternidade, ao convívio saudável com o seu próximo, igualmente necessitado.

A oração amplia-lhe a faculdade de entendimento da existência e da Vida

real.

A relaxação proporciona-lhe harmonia, horizontes largos para a movimentação.

A meditação ajuda-o a crescer de dentro para fora, realizando-se em amplitude e abrindo-lhe a percepção para os estados alterados de consciência.

O autoconhecimento se torna uma necessidade prioritária na programática existencial da criatura. Quem o posterga, não se realiza satisfatoriamente, porque permanece perdido em um espaço escuro, ignorado dentro de si mesmo.


Foi necessário que surgissem a Psicologia Transpessoal e outras áreas doutrinárias com paradigmas bem definidos a respeito do ser humano integral, para que se pudesse propor à vida melhores momentos e mais amplas perspectivas de felicidade.


A contribuição da Parapsicologia, da Psicobiofísica, da Psicotrônica, ampliou os horizontes do homem, propiciou-lhe o encontro com outras dimensões da vida e possibilidades extrafísicas de realização, que permaneciam soterradas sob os escombros do inconsciente profundo, ou adormecidas nos alicerces da Consciência.


Antes, porém, de todas essas disciplinas psicológicas e doutrinas parapsíquicas, o Espiritismo descortinou para a criatura a valiosa possibilidade de ser consciente, concitando-a ao auto encontro e à autodescoberta a respeito da vida além dos estreitos limites materiais.


Perfeitamente identificado com os elevados objetivos da existência terrestre do ser humano, Allan Kardec questionou os Espíritos Benfeitores.  “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?”

Eles responderam: “— Um sábio da Antigüidade vo-lo disse”. Conhece-te a ti mesmo.

Fontes: 
* www.maconaria.net/ 
*O Ser consciente. Divaldo Franco-Joanna de Angelis