segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Diferenças entre reconhecimento e gratidão.

Uma das mais elevadas virtudes, que o homem deve aspirar, é a gratidão. Um raro valor de se observar na atual sociedade tão preocupada com seus afazeres mundanos ou profanos. Poucos sabem diferenciar a prática da gratidão com a do reconhecimento. Neste texto escrito por Cairbar Schutel, é elucidado o que um verdadeiro espírita ou um sábio maçom deveriam saber para zelar pela evolução que tanto almejam.

De caminho para Jerusalém, passava Jesus pela divisa entre a Samaria e a Galiléia. Ao entrar ele numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram de longe, e levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós! Jesus logo que os viu disse-lhes: Ide mostrar-vos aos sacerdotes. E em caminho ficaram limpos. Um deles, vendo-se curado, voltou dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe, e este era samaritano. Perguntou Jesus: Não ficaram limpos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou quem voltasse a dar glória a Deus senão este estrangeiro? E disse ao homem: levanta-te e vai; a tua fé te curou.” (Lucas, XVII, 11-19)

Muitos dos seus discípulos se retiraram, e não andavam mais com Jesus. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna: e nós temos crido e conhecemos que tu és o Santo de Deus.” (João, VI, 66-69)

Marta, preocupada com o serviço, chegando-se ao Senhor disse: a ti não se te dá que minha irmã me tenha deixado só a servir? Manda-lhe, pois, que me ajude. Mas respondeu-lhe o Senhor: Marta, está muito ansiosa e te ocupas com muitas coisas, entretanto poucas são necessárias, ou antes uma só; porque Maria escolheu a boa parte que não lhe será tirada. (Lucas, X, 40-42.)

Aí tendes uma guarda; ide segurá-lo como entendeis. Partiram eles e tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra e deixando ali aguarda. (Mateus, XXVII, 65-66.)

Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para ir embalsamá-lo.” (Marcos, XVI, 1.)

Reconhecimento e gratidão são as duas expansões da alma humana, que assinalam muito bem o estado moral de cada indivíduo.
O reconhecimento é o testemunho da genuinidade de uma coisa, de um fato, de uma pessoa.

O reconhecimento é princípio inteligente que nos aproxima da verdade.
Como ato de discernimento, o reconhecimento pode dar lugar ao bom ou mau juízo que façamos de um objeto ou de uma pessoa.

Como virtude moral, o reconhecimento é o princípio da gratidão: onde aquele chega a seu mais elevado cimo, esta começa a sua espiral que se eleva ao infinito.

O reconhecimento, que é discernimento espiritual, obedece sempre ao estado de espírito do julgador.

O reconhecimento, como produto do benefício, é a confissão do bem, pelo bem que o bem nos fez.

A gratidão grava a ideia do bem e mantém, pelo autor do benefício, vivo sentimento de carinho.

O reconhecimento lembra a ideia do benefício. A gratidão aviva a lembrança do benfeitor.

O reconhecimento é um movimento de inteligência, variável, como variável é a inteligência em cada ser humano.

A gratidão é uma confirmação da razão, sancionada por gesto do coração.

Há reconhecimento e há gratidão; onde aquele para, por não poder continuar o seu caminho, esta começa num sulco de luz, a ascensão para a Eternidade.
Não há virtude mais nobre, por isso mesmo mais rara que a gratidão. Ela nos conduz pelo amor e nos eleva a Deus.

Muitas são as almas reconhecidas, mas poucas são as que têm gratidão.
Dos dez leprosos curados em terras da Palestina, só um voltou a dar graças ao Senhor. De todos os restabelecidos pelo Senhor não se contam, talvez, três, que lhe seguissem os passos. De todos os que ouviram dos melodiosos lábios a Palavra de Salvação, insignificante foi o número dos agradecidos; inúmeros foram os que reconheceram o Verbo de Deus, e muito maior em número foram os que, apesar de O reconhecerem, repudiaram a sua Palavra.

Padres, doutores, rabinos, escribas, fariseus, governadores e césares, depois que reconheceram o Poder do Verbo Divino, é que resolveram crucificar o Inocente!
E aquele mesmo que depois de haver mostrado o seu reconhecimento na mais alta expressão de inteligência, lava as mãos ao derramamento de sangue e acede ao sacrifício da vítima, porque não tem coragem de ser grato.
O mundo está cheio de reconhecidos, mas vazio de gratidão.

De oitenta e quatro discípulos que seguiam o Mestre Nazareno, setenta e dois abandonaram no em meio do caminho dando motivo à pergunta do Humilde Galileu aos outros doze: “E vós também não vos quereis retirar? Ao que respondeu Pedro: Para quem havemos nós de ir, Senhor? Tu tens Palavras de Vida Eterna!

O reconhecimento incita o interesse; a gratidão reveste o amor.

Marta e Lázaro são reconhecidos, mas só Maria tem gratidão: " Uma mulher com um frasco de fino perfume de nardo ungiu-O ”. (Marcos, XIV, 3.)
Nicodemos, movido pelo reconhecimento, vai ao encontro de Jesus, mas como não tem gratidão, espera a noite para se aproximar do Filho de Deus. No reconhecimento só age o interesse. Na gratidão é o amor que fala.

Para guarda do sepulcro, Herodes envia milícia; Madalena leva flores e perfumes.

O reconhecimento é o princípio inteligente que nos aproxima da Verdade; a gratidão é um dever que a ela nos alia.
Na vida particular, como na vida social, há reconhecimento e gratidão; mas aquele, quando lustrado pela nobreza de caráter, é o princípio em que germinam as graças que nos dão a pureza de sentimento.

O reconhecimento é, finalmente, para a gratidão, o que a bolota é para o carvalho.

 Bibliografia: 
“Parábolas e Ensinos de Jesus” – Cairbar Schutel. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

20 de agosto, dia do maçom brasileiro.


Feliz dia do Maçom.
A todos os irmãos maçons, que este dia 20 de agosto, seja mais um de reflexão e não somente de solenidade, pois a maior comemoração que um maçom pode ter é de cavar masmorras de todos os seus vícios. O espiritismo nos revela que o vício atinge o corpo espiritual, que é a matriz do corpo físico. Após o desencarne, advém a crise de abstinência como aconteceria no plano físico. Os vícios morais naturalmente também acompanham o homem no além-túmulo. Esclarece-nos o Mestre: “Escutai e compreendei bem isto: - Não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. - O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; - porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos-testemunhos, as blasfêmias e as maledicências. - Essas são as coisas que tornam impuro o homem" ( S. Mateus, cap. XV, vv. 1 a 20.).

Todos os hábitos que conduzem o homem ao bem; Atitudes positivas que geram bem a sí e ao próximo.
  • Humildade,Modéstia,Sensatez,Companheirismo/renúncia, Beneficência, Perdão, Brandura, Paciência, Afabilidade / doçura, Abnegação, Responsabilidade, Fé, Sabedoria, Compaixão.
Recordando uma psicografia de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel :
“A evolução é a escalada infinita.
Cada qual abrange a passagem de acordo com o degrau em que se coloca.”.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O famoso Bode da Maçonaria.

     Não é raro ouvir do povo que nas reuniões maçônicas exista um bode. Este animal teria alguma função na maçonaria, sendo o emprego de retirar o sangue para determinados fins, como a mais comum das tolices proferidas por pessoas completamente alheias sobre a sublime ordem. Se há um bode ou não, bastaria o leitor utilizar um pouco de seu raciocínio e terá a resposta. Por que estas estórias do bode preto como espectador nas reuniões secretas e outras conversas pitorescas ainda persistem no imaginário popular?

    É grande o número dos desinformados julgarem sem justiça a maçonaria e também o espiritismo. Digo “desinformados” porque muitos sequer averiguam se o que ouvem é verdade. Além disso, existem alguns "instruídos" que fingem não saber sobre determinado assunto por interesses escusos. Motivos puramente materialistas ou exibicionistas, aproveitando-se da atual ignorância e superstição de um povo que sofre para encontrar uma luz no fim do túnel de suas tribulações.

     A falta de estímulo à cultura é um dos meios de manter o grande público na ignorância, o que estimula ainda a violência. Cita Voltaire quando afirma que aqueles que conseguem fazer você acreditar em absurdos podem fazer você cometer atrocidades.

     A cultura é um atributo do homem e se constitui a partir das relações e das experiências com o mundo, como os grupos sociais, a tradição, os costumes, o meio ambiente, a religião etc. A difusão de boas ideias resulta em reformas que reduzem a violência por vários caminhos. O mais óbvio é o desmascaramento da ignorância e da superstição, grandes males que cercam o homem.

      O maior degrau da “escada de Jacó”, que a sociedade teria o mérito de subir para se desvencilhar desse mal que a rodeia, é o degrau da moralidade. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo em que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra. 

     Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, tanto mais se sente o que falta, sem que, entretanto, se possa ainda definir claramente o que seja: é isso efeito do trabalho íntimo que se opera em prol da regeneração. Surgem desejos, aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor. Recordando um texto do venerável escritor Herculano Pires, no seu livro  
“O Espírito e o Tempo”: O homem não amadurece como o fruto, mas como Espírito. Na proporção em que a criança amadurece, ela deixa de ser criança, para tornar-se adulto.  Assim, o homem, na proporção em que amadurece, deixa de ser homem – essa criatura humana, contraditória e falível, enleada nas ilusões da vida física – para tornar-se Espírito.

     Algumas maneiras de galgar o degrau da moralidade foram ditas pelo mestre Allan Kardec, na revista espírita de 1863, mensagem dada por  La Fontaine (espírito), intitulada “Conhecer a si mesmo”. 
Entre os seus sábios conselhos encontramos: 

a. “O que muitas vezes impede que vos corrijais de um defeito, de um vício, é, certamente, o fato de não perceberdes que o tendes”. Ou seja, o desconhecimento de si impede que identifiquemos nossas imperfeições ou limites morais para que possamos mudar para melhor, aliás, nenhuma reforma considerável é possível sem o conhecimento exato a respeito do que merece mudança. 

b. “Enquanto vedes os menores defeitos do vizinho, do irmão, nem sequer suspeitais que tendes as mesmas faltas, talvez cem vezes maiores que as deles.” A falta de indulgência escurece nossa visão sobre nós mesmos. Quando nos fazemos juízes inveterados dos outros, gastamos tempo e energia que poderiam ser destinados à exploração do planeta interno e, com isso, passamos a perder o foco da atenção sobre nós mesmos que, no caso de nossa progressão espiritual, é o que mais importa. 

c. “Deveríeis analisar-vos um pouco como se não fôsseis vós mesmos”.  Equanimidade parece ser uma palavra-síntese dessa frase. Cabe-nos uma análise sincera e imparcial de nossa natureza moral tornando a subjetividade objeto de exame, fazendo o exercício mental de “olhar de fora" para cá dentro do ser. 

d. “Sede francos convosco mesmos; travai conhecimento com o vosso caráter (...).” A franqueza gera a desilusão, o que de fato é uma maravilha. É melhor ficar momentaneamente desapontado consigo por descobrir-se equivocado do que passar uma reencarnação em permanente autoengano. Aliás, o pensador espiritualista Hermógenes diz, num de seus escritos, que, se tivesse que fundar uma religião, ela se chamaria “desilusionismo”. 


http://www.oconsolador.com.br/ano7/323/ricardo_baesso.html
PIRES,  J. Herculano. O Espírito e o Tempo. 3.ed. São Paulo:EDICEL, 1979