sexta-feira, 23 de julho de 2021

A vaidade associada com o intelecto nas Lojas maçônicas.



Existem alguns irmãos que experimentam a dádiva do conhecimento maçônico, mas lhe faltaram os recursos morais, que, embora vicejassem no íntimo e os orientassem de alguma forma, não eram suficientes para superar as tendências em predomínio no ego: a vaidade exacerbada, o temperamento agressivo e soberbo, a presunção do conhecimento acadêmico. O conhecimento intelectual nem sempre oferece discernimento emocional, e não são poucos aqueles que, possuidores de grande cultura, falham em questões pertinentes ao sentimento, ensoberbecendo-se e mantendo distância mental das pessoas que consideram inferiores. Há, pois, uma distância significativa entre conhecer e vivenciar, ensinar e sentir, compreender e amar em profundidade, ajudando sempre e sem cessar.



Assim, para complementar o entendimento, diz o texto “Nação de meninos”, da obra Notícias do Reino, de autoria de João J. Moutinho:


Trinta milênios, aproximadamente, separam o homem atual do primata hominis, o habitante terreno encontrado pelos Espíritos migrados de Capela*, em cujo seio buscaram as primeiras encarnações. 


Não obstante a significativa extensão de tempo, os homens atuais, observados coletivamente, mostram-se próximos à condição de crianças espirituais. 


Não se deve estranhar nem confundir maturidade espiritual com o progresso científico atual, reconhecido por contribuição exclusiva de poucos vultos, que surgem no campo da Ciência, que povo  conhece apenas pela melhor qualidade de vida que anota. 


O crescimento dos valores morais, aliado à maturidade do Espírito, característica de sua maioridade, permanece ainda em terreno individual. 


Coletivamente, ainda que na condição de adulto, predominam, no homem, as fantasias inerentes aos seres espiritualmente jovens, cujas alegrias se traduzem por coisas pueris e mutáveis do mundo físico, sustentadas pela vaidade ou pela ingenuidade da alma, cuja mente permanece em sintonia com as inquietações estranhas à edificação íntima.


Na ausência de maturidade do Espírito, algumas doutrinas ainda se estruturam nas tradições que criaram ou que herdaram de outras seitas, justificando o desinteresse do homem pela evolução moral e o quadro de emoções envilecidas que, traduzidas por instintos ou sensações, mais facilmente acordam sob o domínio de ruidosas e animadas festas, desenvolvendo o sensualismo, hoje tão cultuado, e o indiferentismo à dor alheia.


A natureza das emoções denuncia a evolução espiritual das criaturas. O quadro de ilimitada ambição e riqueza, ao lado da extrema miséria, revela a escassez dos nobres valores morais que identificam o homem de bem. 


Diversos, pois, podem ser os estados de alegria e de emoção de cada ser. Um só motivo pode ser fator de emoções diversas, de conformidade com o estado evolutivo de cada criatura humana. 


A infantilidade do Espírito facilmente se percebe na ostentação de quadros materiais ou situações lisonjeiras, do que o ser recolhe motivos de felicidade, ainda que guardando patamar de evolução moral e intelectual de reconhecida inferioridade. 


Deve-se lembrar, à guisa de exemplo, a inversão de valores que se reconhece no comportamento dos gadarenos que, dando prioridade aos porcos solicitaram a Jesus que se afastasse de seus domínios. 


Que se recorde, ainda, a triste cena do povo judeu que, influenciado por Anás e Caifás, convence Pilatos com as seguintes palavras que encerram expressiva sabedoria: "Se soltas Jesus, não és amigo de César (João, 19:12) , demonstrando a prioridade que empresta, não só a Barrabás, como igualmente ao imperador romano, sob cujo domínio vivia, desprezando o Cristo que buscava sua libertação definitiva. 


Como Espíritos jovens, os seres terrenos não se mostram sensíveis à vitória alcançada pela virtude nem anotam emoção ao pranto dos que na Terra ainda choram pelas injustiças sociais, porquanto seus sentidos somente registram o que corresponde à esfera dos interesses imediatos do plano físico, onde predominam os instintos e as sensações de sua primitividade.


* O termo “Exilados de capela” foi citado pela primeira vez no livro “A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel, onde conta a história de um planeta do sistema de Capela, situado na constelação de Cocheiro, que, há cerca de dez mil anos, passava por importantes obras morais. No entanto, haviam alguns espíritos degredados – embora evoluídos em escala astral – que ainda retardavam a evolução. Os governadores deste mundo decidiram então exilá-los para o planeta terra – mundo de provas e expiações, onde consciências trabalham pela própria renovação.

Pesquisas bibliográficas: 

MOUTINHO, João J. Notícias do Reino. Rio de Janeiro: FEB, 2010.

MIRANDA, MANOEL P.   Psicografado por Divaldo P. Franco.Tormentos da Obsessão. Salvador: Leal, 2001.










domingo, 20 de junho de 2021

Boaz e a sua seara.


Entre as leis de caráter humanitário, Moisés institui diretrizes sobre a ceifa e a vindima, visando amparar o estrangeiro, a viúva e o órfão.

Sob o amparo desse código, pobre viúva moabita buscou a seara de Boaz, pedindo permissão para ali respigar. Mais tarde, o dono da seara fala-lhe, conselheiro: "Se te aprouver, não te afastes daqui, mas junta-te às minhas servas e segue-as no campo onde ceifarem. Se tiveres sede, vai à bilha e, à hora de comer, vem e come a tua parte de pão". A seguir, recomenda a seus servos que deixem cair de seus feixes, como por descuido, algumas espigas, para que ela as apanhe.

O carinho de Boaz com a viúva moabita que fora respigar em sua seara e a preocupação de Jesus com a grande família que acolheu em sua casa planetária traduzem figura que estabelece identidade entre Boaz e Jesus. Boaz, além de demonstrar preocupação com a indigente que respiga em seu campo, excede o limite dos códigos estabelecidos por Moisés, oferecendo à viúva o pão e a bilha de água destinados somente aos ceifeiros.

Na Parábola dos Trabalhadores da Última Hora, como pai de família, Jesus determina que todos os obreiros de sua seara recebam o mesmo denário, antes combinado com os que começaram cedo, trabalhando o dia todo.

 Desde que as criaturas iniciaram suas experiências no palco da vida física, constituindo as civilizações mais antigas da Terra, por intermédio de seus mensageiros, os profetas de todos os tempos, Jesus aparece à praça imensa da Terra, a fim de assalariar os trabalhadores ali encontrados.

Por inúmeras vezes, no curso dos milênios nas várias horas do dia - Espíritos de escol vestiram suas túnicas de carne, retornando à lavoura da Terra, para reiterar o convite do Cristo, aconselhando que os homens não se afastem da seara do bem, mas acompanhem seus servos, no campo onde semeiam, com o que encontram igualmente o jornal da felicidade e da paz.

Convém lembrar que, apesar da preocupação de Jesus com a presença das criaturas em sua vinha, somente assalaria os que já se desvincularam dos outros campos, onde tantos ainda preferem se demorar. Considere-se também que, por maior seja o seu desvelo, nunca invade os campos das consciências, a pretexto de levar o convite, nem mesmo para impor as diretrizes de seu Evangelho.

Somente após inúmeras colheitas de desenganos, nos campos dos compromissos e respectivas reparações, é que as criaturas se afastam das lavouras de espinho, para se colocarem à disposição de Jesus entre os candidatos às lides de sua seara. Ainda assim, muitos convidados recusam o convite, enquanto outros se preocupam com a escolha dos primeiros assentos.

Nessa pauta, recorde-se os que apenas querem ser servidos, ignorando que o Dono da vinha ainda serve; os que pegam no arado com os olhos nas propostas vulgares da retaguarda; os que estão preocupados nos consórcios dos interesses terrenos; e, ainda, os que não esperam ser convidados, por confundirem a seara de Jesus com a da Terra, onde o reinado é tomado à força, porque são os violentos que se apoderam dele.

Eis por que afirma Jesus: "A seara é imensa, sendo raros, porém, os trabalhadores de boa vontade". (Mateus, 9:37.). A seara do Evangelho, de conteúdo extenso, ainda reclama a presença dos trabalhadores de boa vontade - os que dão vida na defesa da lavoura que dão a vida considerando os voluntários lavradores que, preocupados exclusivamente com o soldo, a exemplo de Anás e Caifás, ainda atentam contra a vida do proprietário da vinha (Mateus, 21:38 e 39).


Bibliografia : 

MOUTINHO, João J. Código do Reino. Rio de Janeiro: FEB, 2010.