Pular para o conteúdo principal

Postagens

A lenda de Hiram Abiff: Simbolismo dos algozes

Embora a precisão histórica da lenda de Hiram Abiff permaneça incerta, seu significado alegórico dentro da Maçonaria é inegável. A história conta que, estando a construção do templo quase completa, quinze Companheiros conspiraram entre si para obter de Hiram Abiff, a Palavra de Mestre. Logo de início, três desistiram do plano, restando doze. Pouco depois, nove também recuaram, sobrando apenas três executores: Jubelas, Jubelos e Jubelum. Sabendo que o Mestre Hiram sempre ia orar dentro do templo ao meio-dia, hora em que os obreiros iam descansar, os três emboscaram-no, postando-se nas saídas: Jubelas na porta meridional, Jubelos na porta ocidental e Jubelum na porta oriental. Hiram demonstrou imensas virtudes e um compromisso inabalável em preservar o conhecimento sagrado que lhe fora confiado. Sua firme recusa em revelar a Palavra de Mestre àqueles que não estavam aptos, mesmo diante da morte, exemplifica o supremo valor da integridade moral. Por se manter fiel aos seus princípios, ele...

Cinzel do tempo na maçonaria.

  O Maço e o Cinzel são as ferramentas fundamentais que o iniciado utiliza para desbastar a pedra bruta do caráter, onde o Maço representa a força motriz da vontade e o Cinzel atua com a precisão necessária para aparar imperfeições. Para que essa transformação ocorra, a polidez surge como base educativa, servindo para o florescimento das virtudes como a justiça e a prudência, as quais seriam inúteis sem a devida cortesia. No entanto, é preciso cautela: termos como gentileza e polidez pressupõem atitudes nobres, mas nem sempre refletem ética. Uma pessoa pode agir com civilidade e fineza de maneiras sem que isso signifique a presença de bondade real ou honestidade. Quando a polidez é apenas uma máscara de etiqueta, sem ressonância na alma, ela desmorona facilmente diante de provocações. Nesses momentos de teste, as mazelas internas rompem a aparência, expondo feras que apelam para o grito ou a força bruta. Figuras hipócritas assemelham-se a sepulcros caiados, que por fora parecem jus...

Do Mentor ao Mestre maçom.

  Ao me deparar com as notícias sobre a aguardada estreia do filme focado na saga de Ulisses, para junho de 2026, tive uma reflexão e nostalgia literária. Essa produção, que promete resgatar uma das grandiosas epopeias da Antiguidade, reconduziu-me às páginas da clássica obra *As Aventuras de Telêmaco*, do escritor francês François Fénelon. Enquanto o grande público volta seus olhos para a figura mítica do herói de Ítaca nas telas dos cinemas, meus pensamentos se fixaram, de maneira inevitável, na emblemática relação edificada entre o jovem Telêmaco, filho de Ulisses, e seu sábio Mentor ao longo daquela narrativa didático-pedagógica.  Como maçom, tracei um paralelo imediato entre essa clássica dinâmica mítica e os ensinamentos vivenciados em nossas Lojas maçônicas, onde a busca pelo aperfeiçoamento moral é o norte de nossas ações. A estória de educação de Fénelon ganha uma cor nova sob a ótica da nossa Ordem, pois a figura de Mentor se confunde com o papel desempenhado pelo Me...

Pavimento mosaico: mudança de atitude mental.

  O Pavimento Mosaico, com seus quadrados brancos e pretos rigorosamente delimitados, serve como uma poderosa representação visual da dualidade que rege o mundo criado. Esse símbolo maçônico moderno abandonou sua função operativa para se tornar uma imagem da complexidade da realidade, onde luz e trevas, vida e morte, progresso e regressão coexistem de forma inextricável. Por ela, o observador é convidado a compreender que os opostos não são apenas forças externas, mas elementos que dividem a própria mente humana. Diferente do modelo chinês do Yin e Yang, que sugere um movimento circular e incessante, o Pavimento Mosaico apresenta uma dualidade mais radical e estática, desafiando o indivíduo a traçar seu próprio caminho e sublimar os contrastes através de um princípio superior. Essa tensão entre os opostos é ilustrada por um velho koan Zen-Budista sobre um homem avarento visitado por um mestre. O sábio questionou como pareceria sua mão se permanecesse sempre fechada ou sempre aberta...