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Agonia dos formalismos: Maçonaria, religião e a humildade diante da evolução multimilenar

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Maçom andarilho ou peregrino?

  Sob o céu infinito da existência, cada alma trilha uma estrada: somos peregrinos ou meros andarilhos? Ambos carregam nos pés as marcas da jornada longa, o peso das pedras e o cansaço das noites sem luar. Mas no coração do peregrino brilha uma chama serena: a intenção clara, o olhar que transforma o caminho em templo. O andarilho vagueia sem bússola, deixando que o vento passe sem mover-lhe a essência; o peregrino, porém, faz de cada passo uma escola de luz, um burilamento amoroso da alma. Quando esquecemos nossa natureza peregrina, a vida se torna cinza e sem eco; ao despertarmos para ela, cada gesto de fraternidade, cada escolha de bem, cada abraço dado ou recebido vira degrau de luz. Quando esquecemos nossa condição de peregrinos, a vida se torna mero cansaço e tédio. Ao recordá-la, cada escolha no lar, no trabalho, na fraternidade ganha, enfim, um sentido sagrado. Você, sendo um maçom, de que modo tem caminhado ultimamente? Como peregrino consciente ou como andarilho distraído...

A Visão Maçônica sobre a Coexistência.

  A Maçonaria ergue-se sobre o pilar da mais ampla tolerância, exigindo de seus adeptos o respeito inegociável por todas as crenças religiosas e convicções políticas, reconhecendo-as como igualmente legítimas e rejeitando qualquer pretensão de exclusividade ou privilégio. Ser Maçom implica, portanto, a arte de conviver com as diferenças, combatendo incessantemente os fanatismos e as paixões que dividem, para priorizar a coexistência harmônica e a evolução conjunta da humanidade. É sob a luz dessa fraternidade que acolhe a diversidade sem transigir com o erro que devemos refletir sobre o peso das opiniões e a soberania da consciência. A vivência maçônica, essencialmente voltada para a construção do templo interior, encontra nos ensinamentos do espírito Emmanuel um prumo seguro para lidar com a influência das opiniões alheias. O maçom deve compreender que buscar a aprovação geral é "rematada loucura"; se nem mesmo Jesus, o Mestre dos Mestres, conseguiu agradar a todos, sendo vi...

Há envolvimento entre Maçonaria e a fabricação de cartas de tarô?

  Existe uma lenda persistente que atribui a criação das cartas de tarô aos maçons, mas um olhar atento à história revela que isso não passa de um mito. A realidade dos verdadeiros fabricantes de cartas, especialmente na França do Antigo Regime, era muito mais mundana e árdua. Longe de qualquer sociedade secreta, o "fabricante de cartas e tarôs" exercia um ofício considerado "medíocre", classificado no mesmo nível de sapateiros, açougueiros e alfaiates. Esses profissionais enfrentavam uma realidade brutal: eram rigorosamente regulamentados, sobrecarregados com impostos pesados e explorados por coletores que fiscalizavam implacavelmente sua produção. A jornada de trabalho começava às cinco da manhã e durava catorze horas, muitas vezes por um salário miserável. Embora suas guildas usassem termos como "aprendiz" e "mestre", que lembram a maçonaria, não há qualquer vestígio de práticas iniciáticas em seus arquivos. Além disso, a maçonaria especulativ...

Autodomínio do maçom vs “ homem-aparência”.

  No livro “ O Homem Integral”, de Divaldo Franco, há o texto intitulado 'Homens-aparência', que é uma crítica filosófica e psicológica sobre a natureza da liberdade e como a sociedade moderna, com seus valores superficiais, impede o ser humano de alcançá-la verdadeiramente. Essa reflexão encontra um profundo eco na filosofia maçônica, que justamente contrasta o 'mundo profano', focado nas aparências e paixões desordenadas, com a jornada do iniciado, cujo principal trabalho é o de desbastar  a própria personalidade, ou seja, para edificar seu templo interior com base na virtude e no autoconhecimento. As premissas para que a liberdade possa existir de forma plena, argumentando que ela não é simplesmente um direito político ou a ausência de restrições externas. A verdadeira liberdade depende, na verdade, de duas condições internas fundamentais: uma consciência idealista, focada no "bem geral" que transcende os impulsos egoístas e o desejo por gratificação imedia...

A Câmara de Reflexões e o simbolismo do inferno: Uma lição de Telêmaco.

No entendimento sobre a evolução das crenças humanas sobre a vida após a morte, argumenta-se que as primeiras noções de céu e inferno eram projeções materialistas, reflexo do desenvolvimento moral e intelectual de cada povo. As recompensas e punições futuras eram imaginadas com base nas experiências terrenas, como a abundância de caça ou torturas físicas. O inferno cristão é uma herança direta e até exagerada do inferno pagão, com sua ênfase no fogo e no sofrimento corporal. Argumenta-se que o Mestre dos mestres, Jesus, diante da incapacidade de seus contemporâneos de compreenderem conceitos puramente espirituais, absteve-se de detalhar a vida futura, deixando ao tempo a tarefa de refinar essas ideias. A crença em um destino fixo e eterno é criticada por impossibilitar o progresso da alma. Em contrapartida, a frase "Há muitas moradas na casa de meu Pai" é apresentada como uma revelação que substitui a visão binária de salvação ou danação. Essa nova perspectiva introduz a idei...