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Cinzel do tempo na maçonaria.

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Do Mentor ao Mestre maçom.

  Ao me deparar com as notícias sobre a aguardada estreia do filme focado na saga de Ulisses, para junho de 2026, tive uma reflexão e nostalgia literária. Essa produção, que promete resgatar uma das grandiosas epopeias da Antiguidade, reconduziu-me às páginas da clássica obra *As Aventuras de Telêmaco*, do escritor francês François Fénelon. Enquanto o grande público volta seus olhos para a figura mítica do herói de Ítaca nas telas dos cinemas, meus pensamentos se fixaram, de maneira inevitável, na emblemática relação edificada entre o jovem Telêmaco, filho de Ulisses, e seu sábio Mentor ao longo daquela narrativa didático-pedagógica.  Como maçom, tracei um paralelo imediato entre essa clássica dinâmica mítica e os ensinamentos vivenciados em nossas Lojas maçônicas, onde a busca pelo aperfeiçoamento moral é o norte de nossas ações. A estória de educação de Fénelon ganha uma cor nova sob a ótica da nossa Ordem, pois a figura de Mentor se confunde com o papel desempenhado pelo Me...

Pavimento mosaico: mudança de atitude mental.

  O Pavimento Mosaico, com seus quadrados brancos e pretos rigorosamente delimitados, serve como uma poderosa representação visual da dualidade que rege o mundo criado. Esse símbolo maçônico moderno abandonou sua função operativa para se tornar uma imagem da complexidade da realidade, onde luz e trevas, vida e morte, progresso e regressão coexistem de forma inextricável. Por ela, o observador é convidado a compreender que os opostos não são apenas forças externas, mas elementos que dividem a própria mente humana. Diferente do modelo chinês do Yin e Yang, que sugere um movimento circular e incessante, o Pavimento Mosaico apresenta uma dualidade mais radical e estática, desafiando o indivíduo a traçar seu próprio caminho e sublimar os contrastes através de um princípio superior. Essa tensão entre os opostos é ilustrada por um velho koan Zen-Budista sobre um homem avarento visitado por um mestre. O sábio questionou como pareceria sua mão se permanecesse sempre fechada ou sempre aberta...

Padre Eutíquio: maçonaria e religiosidade.

A história de padre Eutíquio Pereira da Rocha não é apenas a de um homem perseguido pela Igreja, é o retrato vivo de uma crise que J. Herculano Pires, em sua obra Agonia das Religiões, descreveu com precisão ao afirmar que as instituições religiosas, ao longo dos séculos, foram incapazes de acompanhar a evolução do espírito humano, encastelando-se no dogma e na coerção em vez de abraçar a liberdade de consciência. Eutíquio viveu exatamente essa contradição no Pará oitocentista: padre, maçom e político, ele ousou pertencer ao mesmo tempo a duas instituições que disputavam os corações e as mentes da sociedade brasileira do século XIX. Para a Igreja ultramontana, sua dupla fidelidade era intolerável; para ele, era a única forma coerente de viver a fé sem hipocrisia. Sua trajetória revela que o conflito entre religião institucional e liberdade de pensamento não é privilégio da modernidade, ele já ardia, com toda a sua força, nas ruas de Belém do Pará, mais de cem anos atrás. Ele nasceu em ...