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Lidando com inimizades na maçonaria.

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Agonia dos formalismos: Maçonaria, religião e a humildade diante da evolução multimilenar

  O maçom que veste seus símbolos para uma sessão na loja repete processos antiquíssimos, refinados pela tradição humana. Em um mundo onde rituais e palavras ainda moldam crenças e comportamentos, este artigo propõe uma reflexão profunda sobre as origens evolutivas do formalismo religioso e social. Inspirado nas ideias de J. Herculano Pires em Agonia das Religiões , exploramos como ritos, presentes na Maçonaria, nas igrejas e até em cerimônias acadêmicas, não surgem de revelações divinas, mas do impulso vital bergsoniano que atravessa espécies animais e culmina no homem. Animais já praticam rituais e formas primitivas de “palavras”, usando o corpo ou objetos naturais como instrumentos, conforme evidências do biólogo Remy Chauvin. Humanos refinam esses processos ancestrais, do fogo e fumaça como sinais primitivos aos paramentos sacerdotais e símbolos maçônicos, refletindo ritmos da Natureza, como estações e gerações, segundo Blavatsky, Frazer e outros. No Espiritismo, isso aponta pa...

Maçom andarilho ou peregrino?

  Sob o céu infinito da existência, cada alma trilha uma estrada: somos peregrinos ou meros andarilhos? Ambos carregam nos pés as marcas da jornada longa, o peso das pedras e o cansaço das noites sem luar. Mas no coração do peregrino brilha uma chama serena: a intenção clara, o olhar que transforma o caminho em templo. O andarilho vagueia sem bússola, deixando que o vento passe sem mover-lhe a essência; o peregrino, porém, faz de cada passo uma escola de luz, um burilamento amoroso da alma. Quando esquecemos nossa natureza peregrina, a vida se torna cinza e sem eco; ao despertarmos para ela, cada gesto de fraternidade, cada escolha de bem, cada abraço dado ou recebido vira degrau de luz. Quando esquecemos nossa condição de peregrinos, a vida se torna mero cansaço e tédio. Ao recordá-la, cada escolha no lar, no trabalho, na fraternidade ganha, enfim, um sentido sagrado. Você, sendo um maçom, de que modo tem caminhado ultimamente? Como peregrino consciente ou como andarilho distraído...

A Visão Maçônica sobre a Coexistência.

  A Maçonaria ergue-se sobre o pilar da mais ampla tolerância, exigindo de seus adeptos o respeito inegociável por todas as crenças religiosas e convicções políticas, reconhecendo-as como igualmente legítimas e rejeitando qualquer pretensão de exclusividade ou privilégio. Ser Maçom implica, portanto, a arte de conviver com as diferenças, combatendo incessantemente os fanatismos e as paixões que dividem, para priorizar a coexistência harmônica e a evolução conjunta da humanidade. É sob a luz dessa fraternidade que acolhe a diversidade sem transigir com o erro que devemos refletir sobre o peso das opiniões e a soberania da consciência. A vivência maçônica, essencialmente voltada para a construção do templo interior, encontra nos ensinamentos do espírito Emmanuel um prumo seguro para lidar com a influência das opiniões alheias. O maçom deve compreender que buscar a aprovação geral é "rematada loucura"; se nem mesmo Jesus, o Mestre dos Mestres, conseguiu agradar a todos, sendo vi...

Há envolvimento entre Maçonaria e a fabricação de cartas de tarô?

  Existe uma lenda persistente que atribui a criação das cartas de tarô aos maçons, mas um olhar atento à história revela que isso não passa de um mito. A realidade dos verdadeiros fabricantes de cartas, especialmente na França do Antigo Regime, era muito mais mundana e árdua. Longe de qualquer sociedade secreta, o "fabricante de cartas e tarôs" exercia um ofício considerado "medíocre", classificado no mesmo nível de sapateiros, açougueiros e alfaiates. Esses profissionais enfrentavam uma realidade brutal: eram rigorosamente regulamentados, sobrecarregados com impostos pesados e explorados por coletores que fiscalizavam implacavelmente sua produção. A jornada de trabalho começava às cinco da manhã e durava catorze horas, muitas vezes por um salário miserável. Embora suas guildas usassem termos como "aprendiz" e "mestre", que lembram a maçonaria, não há qualquer vestígio de práticas iniciáticas em seus arquivos. Além disso, a maçonaria especulativ...

Autodomínio do maçom vs “ homem-aparência”.

  No livro “ O Homem Integral”, de Divaldo Franco, há o texto intitulado 'Homens-aparência', que é uma crítica filosófica e psicológica sobre a natureza da liberdade e como a sociedade moderna, com seus valores superficiais, impede o ser humano de alcançá-la verdadeiramente. Essa reflexão encontra um profundo eco na filosofia maçônica, que justamente contrasta o 'mundo profano', focado nas aparências e paixões desordenadas, com a jornada do iniciado, cujo principal trabalho é o de desbastar  a própria personalidade, ou seja, para edificar seu templo interior com base na virtude e no autoconhecimento. As premissas para que a liberdade possa existir de forma plena, argumentando que ela não é simplesmente um direito político ou a ausência de restrições externas. A verdadeira liberdade depende, na verdade, de duas condições internas fundamentais: uma consciência idealista, focada no "bem geral" que transcende os impulsos egoístas e o desejo por gratificação imedia...