Pular para o conteúdo principal

Postagens

A Câmara de Reflexões e o simbolismo do inferno: Uma lição de Telêmaco.

No entendimento sobre a evolução das crenças humanas sobre a vida após a morte, argumenta-se que as primeiras noções de céu e inferno eram projeções materialistas, reflexo do desenvolvimento moral e intelectual de cada povo. As recompensas e punições futuras eram imaginadas com base nas experiências terrenas, como a abundância de caça ou torturas físicas. O inferno cristão é uma herança direta e até exagerada do inferno pagão, com sua ênfase no fogo e no sofrimento corporal. Argumenta-se que o Mestre dos mestres, Jesus, diante da incapacidade de seus contemporâneos de compreenderem conceitos puramente espirituais, absteve-se de detalhar a vida futura, deixando ao tempo a tarefa de refinar essas ideias. A crença em um destino fixo e eterno é criticada por impossibilitar o progresso da alma. Em contrapartida, a frase "Há muitas moradas na casa de meu Pai" é apresentada como uma revelação que substitui a visão binária de salvação ou danação. Essa nova perspectiva introduz a idei...

Fiat Lux maçônico

Quando o véu se rasga e a Verdadeira Luz o banha, o Aprendiz Maçom compreende que apenas começou a enxergar. O paradigma do Mundo Profano, focado no acúmulo pragmático de informações, cede lugar a um novo método de trabalho. Ele percebe que o conhecimento, antes um fim em si mesmo, agora é ferramenta para uma obra maior: o contínuo aperfeiçoamento do espírito. Cada lição recebida visa enriquecer suas faculdades para que, transformado em um farol de retidão, possa iluminar seu próprio caminho e influenciar positivamente o mundo ao seu redor, seja nos desafios cotidianos ou nas grandes encruzilhadas da vida. Assim está em  GÊNESIS, 1:2 e 3.:  "A Terra era vã e vazia; e as trevas cobriam a face do abismo... E disse, então, Deus: 'Faça-se a luz; e a luz foi feita.'" Como era a Terra no princípio, assim é hoje, no âmbito espiritual, a sua sociedade, em que pese à soberba dos super-homens que a dirigem e orientam. As trevas envelopam a mente e os corações. No seio da Humani...

O maçom nos degraus para novos horizontes de ascensão.

  A compreensão mítica das civilizações sempre girou em torno do tripé fundamental: nascimento, morte e renascimento. Esse ciclo, longe de ser exclusivo de um povo ou época, manifesta-se universalmente nas religiões e tradições antigas e modernas. Do Egito faraônico, com Osíris e Ísis, aos mitos greco-romanos de Orfeu e Prosérpina, passando pela epopeia de Gilgamesh, as histórias sempre evocaram a transição entre vida e morte. Também nas tradições nórdicas, hindus e budistas encontramos narrativas semelhantes. No Ocidente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã também incorporaram essa estrutura em figuras como Moisés, Cristo e Maomé. Essas narrativas podem ser vistas em duas categorias: as que celebram a morte como expiação e engrandecimento, e as que a compreendem como renovação cíclica. A Lenda de Hiram, no contexto maçônico, sintetiza tais tradições. Nela, a morte do mestre, pela traição de seus pares, evoca paralelos com Cristo, Osíris e outros heróis sacrificados. O corpo oculto...

Como a disciplina do pensamento pode guiar o Maçom?

  A disciplina do pensamento e a reforma do caráter são pilares fundamentais para o crescimento humano e espiritual. Vivemos diariamente rodeados de ideias, emoções e influências que moldam quem somos, mas raramente paramos para refletir sobre o poder que nossos pensamentos exercem em nossa vida. Cada ideia que nutrimos pode se transformar em luz ou sombra, em virtude ou em desordem, guiando nosso destino. Essa reflexão, presente em tradições espirituais e também na simbologia maçônica, nos convida a polir a “pedra bruta” de nosso ser, transformando-a em uma obra de harmonia e beleza. Cultivar pensamentos elevados, praticar a vigilância interior e buscar a serenidade nas provações são passos essenciais nessa jornada. É um caminho lento, mas capaz de nos conduzir à verdadeira liberdade moral.  De acordo com o livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor , de Léon Denis, no trecho “A disciplina do pensamento e a reforma do caráter”, o autor apresenta o pensamento como força cria...

A liberdade do maçom começa no pensamento: Um olhar além das correntes.

  Na Maçonaria, a verdadeira evolução do maçom não se dá por títulos ou cargos, mas pelo domínio de si mesmo, pois a liberdade real não está na rebeldia ou na força, mas na consciência, na ética e na verdade interior. O maçom, como buscador da luz, entende que romper correntes externas é inútil se ainda estiver acorrentado internamente pelo orgulho, vaidade ou ignorância. A liberdade sem responsabilidade gera caos; a liberdade consciente, evolução. O uso da palavra, do pensamento e da ação deve sempre refletir equilíbrio e justiça. A pedra bruta só se transforma em cúbica quando o ser se liberta do ego. Assim está em um trecho do livro “ O homem integral”, psicografado por Divaldo Franco, onde se lê: “ Sentindo-se coarctado nos movimentos, o animal reage à prisão e debate-se até à exaustão, na tentativa de libertar-se. Da mesma forma, o homem, sofrendo limites, aspira pela amplidão de horizontes e luta pela sua independência. [...] A liberdade começa no pensamento, como forma de as...

Entre templos de pedra e almas oprimidas: A antítese maçônica de Esparta.

  Esse texto, do livro “Lázaro Redivivo”, psicografado por Chico Xavier,  narra a ascensão e queda de Esparta sob a égide do autoritarismo, do militarismo extremo e da supressão do pensamento, ecoando advertências profundamente alinhadas com os princípios da Maçonaria. A instituição maçônica valoriza a liberdade, a razão, a justiça e o progresso moral e intelectual da humanidade, tudo aquilo que Esparta rejeitou em sua busca pela supremacia. Ao priorizar a força sobre o saber, o isolamento sobre a fraternidade e a obediência cega sobre a consciência livre, Esparta encarnou o oposto do ideal maçônico. O texto mostra que a glória construída sobre o despotismo e o orgulho é efêmera e que, mais cedo ou mais tarde, a razão e a dignidade humana se reerguem, mesmo entre escombros. Essa reflexão carrega um simbolismo caro à Maçonaria: a construção de um templo interior sobre fundamentos sólidos de virtude, luz e sabedoria, jamais sobre os alicerces frágeis do poder opressor. A históri...

Maçonaria transformando o passado: Quando o bem nasce da dor.

  Na imagem de quem faz rir enquanto chora, vemos uma profunda lição sobre a dualidade humana, muito presente também na jornada maçônica. Do mesmo modo como o cômico que, por trás da máscara alegre, oculta a dor, o maçom é chamado a reconhecer suas sombras e trabalhar pela própria luz interior. A responsabilidade pelas palavras, pelos gestos e pela influência exercida sobre os outros ecoa nos princípios da Maçonaria, que valoriza a retidão e o aperfeiçoamento moral. O autor do texto a seguir, tentando reparar os males semeados por suas ironias, simboliza o iniciado que, ao despertar para a verdade, decide destruir a antiga construção para edificar um novo templo interior. O julgamento apressado dos outros reflete o mundo profano que não compreende a regeneração possível pela iniciação. A verdadeira maçonaria não é o aplauso fácil, mas o silêncio laborioso de quem se reforma. Lembrando a todos nós que o passado não deve ser negado, mas redimido com obras. Os estudos maçônicos nos le...

Maçonaria e serviço: Quando o auxílio é a maior iniciação.

  Em um mundo marcado por contrastes entre luz e sombra, a verdadeira grandeza se revela na capacidade de reconhecer o próximo em cada encontro cotidiano. Seja no lar, no trabalho ou nas ruas, o outro nos interpela com a urgência do auxílio e da compreensão. A Maçonaria e os ensinamentos espíritas convergem ao valorizar o bem praticado em silêncio, sem títulos ou recompensas. O próximo não é apenas quem se alinha às nossas ideias, mas também aquele que nos desafia a crescer. Amar, nesse contexto, é um exercício diário de humildade e ação. A fraternidade se constrói nos gestos simples, e é nesse terreno que se mede a verdadeira evolução. Como ensinou o Mestre dos mestres: amar o próximo é amar a si mesmo em sua forma mais elevada. Eis o texto, “A escolha do Senhor” para figurar esse ensinamento:  Conta-se que alguns apóstolos do bem tanto se ergueram na virtude que, pela extrema sublimação de suas almas, conseguiram atingir o limiar do Santuário Resplendente do Cristo. Voltaria...