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Entre o compasso e a razão: Kant e o dever maçônico. Parte 3.

  A RAZÃO PRÁTICA Uma das coisas que impressionam em Kant, e que muito concorrem para torná-lo mais obscuro e difícil, é a constante inversão que ele faz de nossos conceitos habituais. Mas, por outro lado, esse aspecto formal serve para reafirmar o sentido revolucionário de sua doutrina. O próprio Kant se incumbiu de mostrar esse sentido, considerando-se, na Filosofia, em posição idêntica à de Copérnico na Ciência. Quando ouvimos falar de razão pura e razão prática, imaginamos que, na primeira, devemos pairar no plano da pura abstração, e na segunda, no plano do concreto. E assim é, de fato, mas não da maneira habitual com que entendemos abstrato e concreto. A razão pura, segundo a própria definição de Kant, é “a faculdade de conhecer mediante princípios a priori”, o que vale dizer que é o nosso intelecto em função de apreender o concreto. A razão prática é a nossa faculdade de orientar a ação segundo os imperativos da consciência moral. Na  Crítica da Razão Pura , Kant invest...

Entre o compasso e a razão: Kant e o dever maçônico. Parte 2.

  O PROBLEMA DO CONHECIMENTO Já vimos que Kant havia descoberto o vazio das oposições filosóficas, notando que faltava, às doutrinas opostas, um verdadeiro conteúdo. Todas elas, por assim dizer, lutavam no vácuo. O Racionalismo, por exemplo, tornara-se tão dogmático quanto a Escolástica: a partir da suposta realidade do pensamento, reconstruíra toda a Metafísica, sem primeiro provar aquela realidade, estudar sua natureza e examinar o problema de suas relações com o mundo das coisas. O Empirismo, por sua vez, voltara às teorias protagóricas do conhecimento, pondo toda a sua ênfase no problema das relações entre o pensamento e as coisas, mas não conseguira estabelecer a validade das coisas. Assim, estabelecera também uma forma de dogmatismo, que alcançara sua expressão acabada no extremado mentalismo de Berkeley, para afinal encontrar o beco sem saída do agnosticismo de Hume. Tudo isso porque ambos não tinham conteúdo. Partiam de suposições e não de verificações. Kant se propõe a des...

Entre o compasso e a razão: Kant e o dever maçônico. Parte 1.

  Neste texto, convido você a refletir sobre a profunda conexão entre as ideias filosóficas de Immanuel Kant, os ensinamentos da Maçonaria e os princípios da Doutrina Espírita. A partir da obra Os Filósofos , de Herculano Pires, um dos grandes intérpretes do Espiritismo à luz da filosofia. Será explorado como Kant, ao desenvolver os ideais do Iluminismo, influenciou conceitos centrais como dever, liberdade, consciência e educação moral. Além de conhecer um pouco da biografia de Kant, veremos como esses valores são incorporados pela Maçonaria em sua proposta de autoconstrução e também como dialogam com a visão espírita de progresso espiritual, responsabilidade individual e aprimoramento da alma. Eis o início do texto, com sua biografia:  Immanuel Kant nasceu em Koenigsberg, a 22 de abril de 1724. Já vimos que descendia de uma família de operários, de origem escocesa. A pobreza familiar não o impediu de seguir a carreira intelectual, e muito contribuiu para isso a posição pietis...

Aleijadinho e os mistérios da arte maçônica

                                                 Com base no estudo da obra  Aleijadinho – Iconografia Maçônica , de Marilei Moreira Vasconcellos, foi realizada uma análise detalhada das esculturas e do conjunto arquitetônico de Congonhas do Campo. A pesquisa, conduzida com método e rigor acadêmico, revelou simbologias maçônicas recorrentes nas obras do mestre do barroco mineiro. Elementos como colunas, romãs, triângulos e ramos de acácia foram identificados em locais estratégicos,  reforçando a hipótese de que Aleijadinho teve ligação com a Maçonaria. O conhecimento da história de Aleijadinho possibilita uma interpretação que vai além da história e da arte, perpassando pela matemática e direcionando-se para o simbolismo religioso e para as crenças desse artífice do século XVIII. Aleijadinho iniciou-se na Loja Maçônica Vida Eterna em Tejuco, Diamantina a...

A Sombra e o Templo: Jung, Espiritismo e Maçonaria

  A sombra, conceito central na obra de Carl Gustav Jung, representa o lado oculto da personalidade e revela-se como um dos mais profundos desafios do autoconhecimento. Presente tanto na psicoterapia quanto nas práticas simbólicas da Maçonaria, ela é o reflexo do inconsciente pessoal e coletivo, contendo aspectos reprimidos, mas também potencialidades esquecidas. Confrontá-la exige coragem moral e disposição para o mergulho interior. Nas reuniões maçônicas, essa dinâmica emerge discretamente, mas com força transformadora. Reconhecer e integrar a sombra é mais do que um exercício psicológico: é um processo iniciático e espiritual, conduzindo assim à reconciliação interior e à expansão da consciência. Explorá-la é enfrentar a si mesmo na busca da verdadeira essência. Eis um texto de Divaldo Franco, relacionado ao assunto:  Após a descida ao poço da depressão, que lhe abriu as portas do entendimento profundo a respeito da existência, Jung adotou o conceito dos arquétipos, mediant...