Com base no estudo da obra Aleijadinho – Iconografia Maçônica, de Marilei Moreira Vasconcellos, foi realizada uma análise detalhada das esculturas e do conjunto arquitetônico de Congonhas do Campo. A pesquisa, conduzida com método e rigor acadêmico, revelou simbologias maçônicas recorrentes nas obras do mestre do barroco mineiro. Elementos como colunas, romãs, triângulos e ramos de acácia foram identificados em locais estratégicos, reforçando a hipótese de que Aleijadinho teve ligação com a Maçonaria.
O conhecimento da história de Aleijadinho possibilita uma interpretação que vai além da história e da arte, perpassando pela matemática e direcionando-se para o simbolismo religioso e para as crenças desse artífice do século XVIII.
Aleijadinho iniciou-se na Loja Maçônica Vida Eterna em Tejuco, Diamantina atualmente, quando ainda os sinais de sua moléstia ainda não se tinham manifestado e que no Museu do Diamante, encontramos sinais de sua passagem, num. S. José de Botas da antiga Matriz e no forro da antiga Igreja, feita por Atayde que, também sendo maçom, utilizava as cores da Maçonaria em suas pinturas: o azul, o vermelho e o branco, símbolos respectivos da Bondade, Inteligência e Poder, ou seja, Fraternidade, Igualdade, Liberdade.
Nesta construção, em seus adornos, altares, e demais participações escultóricas, encontraremos, sem margem de dúvida, inúmeras simbologias maçônicas, magnificamente colocadas na parte externa ou no seu interior, ironicamente chamando a atenção, e, porque não dizer, desafiando a argúcia e os conhecimentos de que tem olhos de ver. É ali, que se encontra o testemunho evidente de seus conhecimentos; a participação na ordem secreta.
Aleijadinho ao abolir definitivamente a forma quadrada do barroco antigo pela forma circular, teria simbolizado a abóbada celeste, o cosmo o firmamento estrelado.
Imediatamente a vista tem sua atenção voltada para o fato de que duas torres se erguem à frente, a fachada é suportada por duas colunas, a cruz que encima a igreja tem dois braços e está ladeada por duas romās.
A semelhança de motivo é gritante: as duas colunas do Templo de Salomão (Jaquim e Boaz), que servem de modelo aos templos maçônicos e a mesma inspiração nos dois obeliscos que precedem a entrada dos templos egípcios.
As duas torres arredondadas parecem guaritas árabes, ou lembram o chapéu mitráico. Sobre os templos de Mitra, eles são praticamente idênticos aos templos maçônicos contemporâneos. O Venerável, que dirige as cerimônias do grau de Mestre-maçom, tem o chapéu dos Mestres de Obras, que, na Idade Média, foi simbolizado algumas vezes pelo barrete mitráico. Da mesma maneira seu deus levava um barrete frígio.
No alto destas torres, existem longos ponteiras celestiais, como agulhas de pedra. Para os herméticos tais antenas captavam a "harmonia das esferas", para os antigos tinham a capacidade de neutralizar as perturbações 'cósmicas’.
No alto das duas colunas, vemos, de cada lado da cruz de Lorena, as romās. As romās simbolizam a união entre os maçons por um ideal comum. Fruta consagrada a Demeter e Perséfone, pelos iniciados de Eleusis, que nela viam o símbolo das riquezas ocultas da terra divinizada
A prosperidade e solidariedade da família maçônica é simbolizada pelos grãos da romā. As romãs sobre as duas colunas maçônicas sempre tiveram a simbologia da harmonia dos seres que se resumem na unidade, como os grãos num único fruto. Elas indicam a pureza da amizade. Lendo Pausânias ( Geógrafo e Historiador greco do séc. II d.C) vemos que ele se nega a falar a respeito das romās, porque, segundo suas próprias palavras "sua história se relaciona com os mistérios sagrados."
Quando o fruto da romã amadurece, lança fora e longe os seus grãos. Esta é uma imagem perfeita mostrando as potencialidades criadoras que os maçons terão a desenvolver.
Nos Templos as colunas J e B estão coroadas por duas romās. Em certos Templos são substituídas pelos globos celeste e terrestre e, desta forma, também observa-se representados por Aleijadinho, em outros monumentos, chafarizes e esculturas.
Como se não bastasse, nas duas laterais, nos semi-círculos convexos, existe novamente a representação da Loja Maçônica, com as duas colunas e a abóbada celeste.
Voltando à frente, temos abaixo do triângulo estilizado pela posição da cruz de dois braços e o topo das duas colunas frontais, a abóbada celeste. Acompanhando as linhas desta abóboda, vemos duas voltas, representando dois cajados, como verificamos em vários locais, inclusive no altar doméstico do Alto da Cruz, da casa de Antônio Vieira da Cruz, o inconfidente, encontrado recentemente pelo historiador Tarquínio Barboza de Oliveira. Os cajados são símbolos dos diáconos.
Além disto, se observarmos os pontos cardeais da Igreja Francisco de Assis e do Adro de Congonhas veremos que são em tudo semelhantes, seguindo a mesma realização material das Lojas, ou Oficinas.
Sobre a porta principal, de rico desenho e execução, encontram-se os grupos escultóricos em pedra-sabão, realizados pelo toreuta. Encontram-se as folhas de acácia nos festões, outra simbologia maçônica. O ramo de acácia é símbolo da imortalidade, nos emblemas maçônicos. A acácia é símbolo da Ordem Maçônica, que deve florescer em toda a terra. Na lenda do 3º grau, o ramo de acácia indica o lugar onde os três companheiros homicidas haviam ocultado o corpo do Mestre Hiram Abiff, por eles assassinado no Templo de Salomão. Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que as folhas de acácia são os símbolos mais evidentes maçônicos, repetidamente apresentados em altares, retábulos, e medalhões, portadas e chafarizes do Mestre Aleijadinho.
Referência:
Imagem fonte: https://paroquiaconceicaoop.com.br/museu/aleijadinho/
FERNANDES, Marilei Moreira Vasconcellos. Aleijadinho: iconografia maçônica. São Paulo: Atlan, 1988. 126 p.


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