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A Visão Maçônica sobre a Coexistência.

  A Maçonaria ergue-se sobre o pilar da mais ampla tolerância, exigindo de seus adeptos o respeito inegociável por todas as crenças religiosas e convicções políticas, reconhecendo-as como igualmente legítimas e rejeitando qualquer pretensão de exclusividade ou privilégio. Ser Maçom implica, portanto, a arte de conviver com as diferenças, combatendo incessantemente os fanatismos e as paixões que dividem, para priorizar a coexistência harmônica e a evolução conjunta da humanidade. É sob a luz dessa fraternidade que acolhe a diversidade sem transigir com o erro que devemos refletir sobre o peso das opiniões e a soberania da consciência. A vivência maçônica, essencialmente voltada para a construção do templo interior, encontra nos ensinamentos do espírito Emmanuel um prumo seguro para lidar com a influência das opiniões alheias. O maçom deve compreender que buscar a aprovação geral é "rematada loucura"; se nem mesmo Jesus, o Mestre dos Mestres, conseguiu agradar a todos, sendo vi...

Há envolvimento entre Maçonaria e a fabricação de cartas de tarô?

  Existe uma lenda persistente que atribui a criação das cartas de tarô aos maçons, mas um olhar atento à história revela que isso não passa de um mito. A realidade dos verdadeiros fabricantes de cartas, especialmente na França do Antigo Regime, era muito mais mundana e árdua. Longe de qualquer sociedade secreta, o "fabricante de cartas e tarôs" exercia um ofício considerado "medíocre", classificado no mesmo nível de sapateiros, açougueiros e alfaiates. Esses profissionais enfrentavam uma realidade brutal: eram rigorosamente regulamentados, sobrecarregados com impostos pesados e explorados por coletores que fiscalizavam implacavelmente sua produção. A jornada de trabalho começava às cinco da manhã e durava catorze horas, muitas vezes por um salário miserável. Embora suas guildas usassem termos como "aprendiz" e "mestre", que lembram a maçonaria, não há qualquer vestígio de práticas iniciáticas em seus arquivos. Além disso, a maçonaria especulativ...

Autodomínio do maçom vs “ homem-aparência”.

  No livro “ O Homem Integral”, de Divaldo Franco, há o texto intitulado 'Homens-aparência', que é uma crítica filosófica e psicológica sobre a natureza da liberdade e como a sociedade moderna, com seus valores superficiais, impede o ser humano de alcançá-la verdadeiramente. Essa reflexão encontra um profundo eco na filosofia maçônica, que justamente contrasta o 'mundo profano', focado nas aparências e paixões desordenadas, com a jornada do iniciado, cujo principal trabalho é o de desbastar  a própria personalidade, ou seja, para edificar seu templo interior com base na virtude e no autoconhecimento. As premissas para que a liberdade possa existir de forma plena, argumentando que ela não é simplesmente um direito político ou a ausência de restrições externas. A verdadeira liberdade depende, na verdade, de duas condições internas fundamentais: uma consciência idealista, focada no "bem geral" que transcende os impulsos egoístas e o desejo por gratificação imedia...

A Câmara de Reflexões e o simbolismo do inferno: Uma lição de Telêmaco.

No entendimento sobre a evolução das crenças humanas sobre a vida após a morte, argumenta-se que as primeiras noções de céu e inferno eram projeções materialistas, reflexo do desenvolvimento moral e intelectual de cada povo. As recompensas e punições futuras eram imaginadas com base nas experiências terrenas, como a abundância de caça ou torturas físicas. O inferno cristão é uma herança direta e até exagerada do inferno pagão, com sua ênfase no fogo e no sofrimento corporal. Argumenta-se que o Mestre dos mestres, Jesus, diante da incapacidade de seus contemporâneos de compreenderem conceitos puramente espirituais, absteve-se de detalhar a vida futura, deixando ao tempo a tarefa de refinar essas ideias. A crença em um destino fixo e eterno é criticada por impossibilitar o progresso da alma. Em contrapartida, a frase "Há muitas moradas na casa de meu Pai" é apresentada como uma revelação que substitui a visão binária de salvação ou danação. Essa nova perspectiva introduz a idei...

Fiat Lux maçônico

Quando o véu se rasga e a Verdadeira Luz o banha, o Aprendiz Maçom compreende que apenas começou a enxergar. O paradigma do Mundo Profano, focado no acúmulo pragmático de informações, cede lugar a um novo método de trabalho. Ele percebe que o conhecimento, antes um fim em si mesmo, agora é ferramenta para uma obra maior: o contínuo aperfeiçoamento do espírito. Cada lição recebida visa enriquecer suas faculdades para que, transformado em um farol de retidão, possa iluminar seu próprio caminho e influenciar positivamente o mundo ao seu redor, seja nos desafios cotidianos ou nas grandes encruzilhadas da vida. Assim está em  GÊNESIS, 1:2 e 3.:  "A Terra era vã e vazia; e as trevas cobriam a face do abismo... E disse, então, Deus: 'Faça-se a luz; e a luz foi feita.'" Como era a Terra no princípio, assim é hoje, no âmbito espiritual, a sua sociedade, em que pese à soberba dos super-homens que a dirigem e orientam. As trevas envelopam a mente e os corações. No seio da Humani...

O maçom nos degraus para novos horizontes de ascensão.

  A compreensão mítica das civilizações sempre girou em torno do tripé fundamental: nascimento, morte e renascimento. Esse ciclo, longe de ser exclusivo de um povo ou época, manifesta-se universalmente nas religiões e tradições antigas e modernas. Do Egito faraônico, com Osíris e Ísis, aos mitos greco-romanos de Orfeu e Prosérpina, passando pela epopeia de Gilgamesh, as histórias sempre evocaram a transição entre vida e morte. Também nas tradições nórdicas, hindus e budistas encontramos narrativas semelhantes. No Ocidente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã também incorporaram essa estrutura em figuras como Moisés, Cristo e Maomé. Essas narrativas podem ser vistas em duas categorias: as que celebram a morte como expiação e engrandecimento, e as que a compreendem como renovação cíclica. A Lenda de Hiram, no contexto maçônico, sintetiza tais tradições. Nela, a morte do mestre, pela traição de seus pares, evoca paralelos com Cristo, Osíris e outros heróis sacrificados. O corpo oculto...