No livro “ O Homem Integral”, de Divaldo Franco, há o texto intitulado 'Homens-aparência', que é uma crítica filosófica e psicológica sobre a natureza da liberdade e como a sociedade moderna, com seus valores superficiais, impede o ser humano de alcançá-la verdadeiramente. Essa reflexão encontra um profundo eco na filosofia maçônica, que justamente contrasta o 'mundo profano', focado nas aparências e paixões desordenadas, com a jornada do iniciado, cujo principal trabalho é o de desbastar a própria personalidade, ou seja, para edificar seu templo interior com base na virtude e no autoconhecimento.
As premissas para que a liberdade possa existir de forma plena, argumentando que ela não é simplesmente um direito político ou a ausência de restrições externas. A verdadeira liberdade depende, na verdade, de duas condições internas fundamentais: uma consciência idealista, focada no "bem geral" que transcende os impulsos egoístas e o desejo por gratificação imediata, e um autoconhecimento profundo, pelo qual o indivíduo compreende suas verdadeiras aspirações, metas e as ferramentas com as quais irá navegar pelo mundo.
Quando uma pessoa ignora seu próprio funcionamento interno, ela se torna vulnerável e reativa. Sem compreender suas "reações pessoais sempre imprevisíveis", o indivíduo facilmente cai em duas armadilhas opostas diante das dificuldades: a violência, como uma reação explosiva à frustração, ou a depressão, um colapso interno quando seus esforços não trazem os resultados esperados. Incapaz de se controlar, essa pessoa não consegue manter uma postura criativa e otimista. Em nítido contraste, o "homem livre" é aquele que sonha, trabalha, confia e persevera, pois entende que a colheita futura depende do plantio feito no tempo certo.
Essa perseverança é crucial, pois a liberdade não é algo que se recebe de presente, se herda ou se alcança da noite para o dia; é um processo lento de conquista individual. Cada pessoa acumula experiências que, gradualmente, amadurecem seu discernimento e razão. O ponto de partida para essa jornada é o amor-próprio, estabelecendo um equilíbrio entre direitos e deveres, pois sem esse respeito pela própria individualidade, torna-se impossível respeitar o valor e a liberdade dos outros. É esse amor a si mesmo que impulsiona o indivíduo a fazer escolhas mais elevadas, buscando o "belo, o útil, do humano".
Contudo, essa jornada interior contrasta drasticamente com o diagnóstico social nos dias. Quando os indivíduos e os grupos estão "esvaziados de objetivos elevados", o que surge não é a liberdade, mas uma anarquia mascarada de liberdade, manifestada nos extremos da violência e do conformismo. Nesse cenário, as pessoas se tornam "homens-aparência": dissimulam seus sentimentos para se adequar ao "figurino vigente", vivem em uma competição frenética para agradar a um "ego atormentado" e, mesmo quando acumulam bens e status, permanecem internamente vazios e presos a desejos insaciáveis.
Esse estado social gera um "círculo vicioso", no qual a sociedade perturbada afeta o homem, que, por sua vez, contribui para piorar o grupo. A raiz desse sistema doentio é uma profunda inversão de valores, onde o homem é medido pelo que tem, e não pelo que é, e pelo que pode, não pelo que faz. A tarefa de quem é verdadeiramente livre, portanto, é comprometer-se a reverter esse sistema. Essa desestruturação pessoal é alimentada por comportamentos como a preocupação desordenada em adquirir bens, a ansiedade por aceitação social, o tormento para seguir a moda e a inquietação por temas superficiais, um conjunto de pressões que destrói o equilíbrio emocional.
Por fim, verifica-se no texto do livro, uma atenção sobre a importância do cerne da filosofia macônica, onde busca-se a primazia do Ser sobre o Ter, a busca da liberdade através do autodomínio, o trabalho contínuo de autoaperfeiçoamento (desbastar a pedra bruta) e a necessidade de uma jornada interior (construção do templo) para se proteger da superficialidade e do caos do mundo profano.
Referência:
FRANCO, Divaldo Pereira. O Homem Integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 23. ed. Salvador: LEAL, 2018.

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