A história de padre Eutíquio Pereira da Rocha não é apenas a de um homem perseguido pela Igreja, é o retrato vivo de uma crise que J. Herculano Pires, em sua obra Agonia das Religiões, descreveu com precisão ao afirmar que as instituições religiosas, ao longo dos séculos, foram incapazes de acompanhar a evolução do espírito humano, encastelando-se no dogma e na coerção em vez de abraçar a liberdade de consciência. Eutíquio viveu exatamente essa contradição no Pará oitocentista: padre, maçom e político, ele ousou pertencer ao mesmo tempo a duas instituições que disputavam os corações e as mentes da sociedade brasileira do século XIX. Para a Igreja ultramontana, sua dupla fidelidade era intolerável; para ele, era a única forma coerente de viver a fé sem hipocrisia. Sua trajetória revela que o conflito entre religião institucional e liberdade de pensamento não é privilégio da modernidade, ele já ardia, com toda a sua força, nas ruas de Belém do Pará, mais de cem anos atrás. Ele nasceu em ...
Blog dedicado a reflexões filosóficas, morais e espirituais unindo os princípios da Maçonaria e do Espiritismo.