A compreensão mítica das civilizações sempre girou em torno do tripé fundamental: nascimento, morte e renascimento. Esse ciclo, longe de ser exclusivo de um povo ou época, manifesta-se universalmente nas religiões e tradições antigas e modernas. Do Egito faraônico, com Osíris e Ísis, aos mitos greco-romanos de Orfeu e Prosérpina, passando pela epopeia de Gilgamesh, as histórias sempre evocaram a transição entre vida e morte. Também nas tradições nórdicas, hindus e budistas encontramos narrativas semelhantes. No Ocidente, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã também incorporaram essa estrutura em figuras como Moisés, Cristo e Maomé. Essas narrativas podem ser vistas em duas categorias: as que celebram a morte como expiação e engrandecimento, e as que a compreendem como renovação cíclica. A Lenda de Hiram, no contexto maçônico, sintetiza tais tradições. Nela, a morte do mestre, pela traição de seus pares, evoca paralelos com Cristo, Osíris e outros heróis sacrificados. O corpo oculto...