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Pavimento mosaico: mudança de atitude mental.

 

Masonic, maçonaria, mosaic pavement, yin yang

O Pavimento Mosaico, com seus quadrados brancos e pretos rigorosamente delimitados, serve como uma poderosa representação visual da dualidade que rege o mundo criado. Esse símbolo maçônico moderno abandonou sua função operativa para se tornar uma imagem da complexidade da realidade, onde luz e trevas, vida e morte, progresso e regressão coexistem de forma inextricável. Por ela, o observador é convidado a compreender que os opostos não são apenas forças externas, mas elementos que dividem a própria mente humana.

Diferente do modelo chinês do Yin e Yang, que sugere um movimento circular e incessante, o Pavimento Mosaico apresenta uma dualidade mais radical e estática, desafiando o indivíduo a traçar seu próprio caminho e sublimar os contrastes através de um princípio superior. Essa tensão entre os opostos é ilustrada por um velho koan Zen-Budista sobre um homem avarento visitado por um mestre. O sábio questionou como pareceria sua mão se permanecesse sempre fechada ou sempre aberta, ao que o avarento respondeu que, em ambos os casos, ela estaria deformada. A lição do mestre revelou que a verdadeira riqueza e a sabedoria residem no equilíbrio do caminho do meio, pois a aceitação cega dos dualismos afasta o ser de sua mente original.

A dualidade é intrínseca ao ser humano desde o despertar da capacidade de discernir, impondo o desafio constante de eleger o que é melhor em detrimento do que é pernicioso. No campo da ética, o bem é definido como a qualidade moral que desperta sentimentos de dever e aprovação, enquanto o mal é visto como o remanescente dos instintos agressivos e do egoísmo. Embora o ser nasça sem essa consciência, ele ascende na escala de valores através da experiência da dor e da evolução do pensamento. O mal é apresentado como algo de duração efêmera, um subproduto de uma etapa evolutiva, enquanto o Bem transcendental é a fatalidade última e o destino inevitável de todos os seres.

Essa experiência do Bem e do Mal começa precocemente na infância, diante das atitudes dos pais e familiares. Por temor, a criança obedece, mas muitas vezes não compreende o que é certo ou errado por falta de esclarecimento que permita a assimilação da razão. Sem esse entendimento, ela aceita a informação por medo de punição, o que pode transformar sentimentos em culpa, ódio reprimido ou depressão. O inconsciente acaba criando uma máscara de conduta reta para preservar o ego, ocultando a realidade reprimida. A conquista paulatina do Bem, contudo, produz equilíbrio e segurança, eliminando as armadilhas do ego que busca apenas a autopromoção.

Por isso, o Bem não pode ser repressor — o que seria mal —, mas sim libertador de tudo o que aflige. Sua dominação é suave, tornando-se uma expressão de conduta moral que ajuda em todos os períodos da vida, da juventude à velhice. Torna-se muito mais difícil incorporar esses valores em um adulto já aclimatado à agressão e às vitórias do ego, que geram heróis poderosos, mas ainda imersos em conflitos. O triunfo do Bem nas criaturas depende da renovação de valores desde cedo. Na idade adulta, o labor é demorado, exigindo reflexão, meditação e a substituição de hábitos enraizados por comportamentos compensadores para o eu superior. Assim, o Bem faz muito bem, enquanto o Mal faz muito mal; a simples mudança de atitude mental permite ao indivíduo encontrar o Bem e desenvolver sua semelhança com o Criador.



Referência:


ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Amor, imbatível amor. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. 16. ed. Salvador: Leal, 2012.


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