Há irmãos que, mesmo tendo acesso à luz do conhecimento maçônico, permanecem na sombra de suas próprias limitações morais. Embora possuam noções do bem, estas não são fortes o suficiente para subjugar as manifestações do ego, como a vaidade excessiva, a agressividade e a presunção intelectual. Isso ocorre porque o acúmulo de saber não se traduz, automaticamente, em maturidade emocional. Consequentemente, vemos homens de grande cultura que falham no campo dos afetos, nutrindo orgulho e se isolando daqueles que consideram menos instruídos. Confirma-se, assim, a distância crucial entre o saber e o ser, entre o discurso e a prática, e entre a compreensão teórica e o amor que se expressa em serviço contínuo e incondicional.
Assim, para complementar o entendimento, diz o texto “Nação de meninos”, da obra Notícias do Reino, de autoria de João J. Moutinho: Trinta milênios, aproximadamente, separam o homem atual do primata hominis, o habitante terreno encontrado pelos Espíritos migrados de Capela*, em cujo seio buscaram as primeiras encarnações.
Não obstante a significativa extensão de tempo, os homens atuais, observados coletivamente, mostram-se próximos à condição de crianças espirituais.
Não se deve estranhar nem confundir maturidade espiritual com o progresso científico atual, reconhecido por contribuição exclusiva de poucos vultos, que surgem no campo da Ciência, que povo conhece apenas pela melhor qualidade de vida que anota.
O crescimento dos valores morais, aliado à maturidade do Espírito, característica de sua maioridade, permanece ainda em terreno individual.
Coletivamente, ainda que na condição de adulto, predominam, no homem, as fantasias inerentes aos seres espiritualmente jovens, cujas alegrias se traduzem por coisas pueris e mutáveis do mundo físico, sustentadas pela vaidade ou pela ingenuidade da alma, cuja mente permanece em sintonia com as inquietações estranhas à edificação íntima.
Na ausência de maturidade do Espírito, algumas doutrinas ainda se estruturam nas tradições que criaram ou que herdaram de outras seitas, justificando o desinteresse do homem pela evolução moral e o quadro de emoções envilecidas que, traduzidas por instintos ou sensações, mais facilmente acordam sob o domínio de ruidosas e animadas festas, desenvolvendo o sensualismo, hoje tão cultuado, e o indiferentismo à dor alheia.
A natureza das emoções denuncia a evolução espiritual das criaturas. O quadro de ilimitada ambição e riqueza, ao lado da extrema miséria, revela a escassez dos nobres valores morais que identificam o homem de bem. Diversos, pois, podem ser os estados de alegria e de emoção de cada ser. Um só motivo pode ser fator de emoções diversas, de conformidade com o estado evolutivo de cada criatura humana.
A infantilidade do Espírito facilmente se percebe na ostentação de quadros materiais ou situações lisonjeiras, do que o ser recolhe motivos de felicidade, ainda que guardando patamar de evolução moral e intelectual de reconhecida inferioridade.
Deve-se lembrar, à guisa de exemplo, a inversão de valores que se reconhece no comportamento dos gadarenos que, dando prioridade aos porcos solicitaram a Jesus que se afastasse de seus domínios.
Que se recorde, ainda, a triste cena do povo judeu que, influenciado por Anás e Caifás, convence Pilatos com as seguintes palavras que encerram expressiva sabedoria: "Se soltas Jesus, não és amigo de César (João, 19:12) , demonstrando a prioridade que empresta, não só a Barrabás, como igualmente ao imperador romano, sob cujo domínio vivia, desprezando o Cristo que buscava sua libertação definitiva.
Como Espíritos jovens, os seres terrenos não se mostram sensíveis à vitória alcançada pela virtude nem anotam emoção ao pranto dos que na Terra ainda choram pelas injustiças sociais, porquanto seus sentidos somente registram o que corresponde à esfera dos interesses imediatos do plano físico, onde predominam os instintos e as sensações de sua primitividade.

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