A Seara junto à coluna B representa o campo de trabalho primordial do Maçom, o local simbólico do Aprendiz. Boaz significa "Força", e o texto a seguir revela sua verdadeira natureza: não a força física, mas a força moral da caridade e do acolhimento. Assim como Boaz, o proprietário, amparou a viúva, o órfão e o estrangeiro em sua seara, a Coluna B (o pilar) simboliza o dever de sustentar os necessitados que buscam "respigar" a luz e o pão. Este trabalho de acolhimento não se limita à letra fria da lei mosaica, mas a excede com generosidade, oferecendo "o pão e a bilha" que não eram devidos. É neste campo fértil da caridade ativa que o Aprendiz maçom inicia seu labor, provando sua boa vontade. Esta seara de Boaz é, em essência, a mesma Seara do Evangelho de Jesus, um chamado universal ao trabalho voluntário e à fraternidade que constrói o verdadeiro Templo. Eis o texto que reflete a ideia:
Entre as leis de caráter humanitário, Moisés institui
diretrizes sobre a ceifa e a vindima, visando amparar o estrangeiro, a viúva e
o órfão.
Sob o amparo desse código, pobre viúva moabita
buscou a seara de Boaz, pedindo permissão para ali respigar. Mais tarde, o dono
da seara fala-lhe, conselheiro: "Se te aprouver, não te afastes daqui, mas
junta-te às minhas servas e segue-as no campo onde ceifarem. Se tiveres sede,
vai à bilha e, à hora de comer, vem e come a tua parte de pão". A seguir,
recomenda a seus servos que deixem cair de seus feixes, como por descuido, algumas
espigas, para que ela as apanhe.
O carinho de Boaz com a viúva moabita que fora
respigar em sua seara e a preocupação de Jesus com a grande família que acolheu
em sua casa planetária traduzem figura que estabelece identidade entre Boaz e
Jesus. Boaz, além de demonstrar preocupação com a indigente que respiga em seu
campo, excede o limite dos códigos estabelecidos por Moisés, oferecendo à viúva
o pão e a bilha de água destinados somente aos ceifeiros.
Na Parábola dos Trabalhadores da Última Hora, como
pai de família, Jesus determina que todos os obreiros de sua seara recebam o
mesmo denário, antes combinado com os que começaram cedo, trabalhando o dia
todo.
Desde que as criaturas iniciaram suas experiências no palco da vida física, constituindo as civilizações mais antigas da Terra, por intermédio de seus mensageiros, os profetas de todos os tempos, Jesus aparece à praça imensa da Terra, a fim de assalariar os trabalhadores ali encontrados.
Por inúmeras vezes, no curso dos milênios nas
várias horas do dia - Espíritos de escol vestiram suas túnicas de carne,
retornando à lavoura da Terra, para reiterar o convite do Cristo, aconselhando
que os homens não se afastem da seara do bem, mas acompanhem seus servos, no
campo onde semeiam, com o que encontram igualmente o jornal da felicidade e da
paz.
Convém lembrar que, apesar da preocupação de Jesus
com a presença das criaturas em sua vinha, somente assalaria os que já se
desvincularam dos outros campos, onde tantos ainda preferem se demorar.
Considere-se também que, por maior seja o seu desvelo, nunca invade os campos
das consciências, a pretexto de levar o convite, nem mesmo para impor as
diretrizes de seu
Somente após inúmeras colheitas
de desenganos, nos campos dos compromissos e respectivas reparações, é que as
criaturas se afastam das lavouras de espinho, para se
colocarem à disposição de Jesus entre os candidatos às lides de sua seara. Ainda assim, muitos convidados recusam o
convite, enquanto outros se preocupam com a escolha dos primeiros assentos.
Nessa pauta, recorde-se os que apenas querem ser
servidos, ignorando que o Dono da vinha ainda serve; os que pegam no arado com
os olhos nas propostas vulgares da retaguarda; os que estão preocupados nos
consórcios dos interesses terrenos; e, ainda, os que não esperam ser
convidados, por confundirem a seara de Jesus com a da Terra, onde o reinado é
tomado à força, porque são os violentos que se apoderam dele.
Eis por que afirma Jesus: "A seara é imensa,
sendo raros, porém, os trabalhadores de boa vontade". (Mateus, 9:37.).
A seara do Evangelho, de conteúdo extenso, ainda
reclama a presença dos trabalhadores de boa vontade - os que dão vida na defesa
da lavoura que dão a vida considerando os voluntários lavradores que,
preocupados exclusivamente com o soldo, a exemplo de Anás e Caifás, ainda
atentam contra a vida do proprietário da vinha (Mateus, 21:38 e 39).
Referência :
MOUTINHO, João J. Código do Reino. Rio de Janeiro: FEB, 2010.

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