Pular para o conteúdo principal

Sabedoria Maçônica: O Dever que Liberta.

 

Deveres maçônicos

Tanto na visão maçônica quanto na doutrina espírita, o dever se apresenta como fundamento indispensável da evolução moral e espiritual do ser humano. Para a maçonaria, o dever é exaltado como uma missão elevada e constante que conduz à verdadeira felicidade, sendo o alicerce das ações do verdadeiro maçom em sua jornada rumo à verdade e à vida eterna. No texto  “O caminho reto”, extraído da obra “Léon Denis - Depois da Morte”, o dever é a lei moral que rege as relações humanas e cósmicas, exigindo do indivíduo um esforço contínuo de autodomínio, caridade e superação pessoal. Ambas as abordagens reconhecem que o dever não é estático, mas cresce conforme o progresso e o discernimento do ser. Enquanto a Maçonaria enfatiza o comprometimento desde a iniciação, com obrigações para com o Grande Arquiteto do Universo, o próximo e a si mesmo, o Espiritismo reforça o papel da consciência como juiz supremo e destaca que a verdadeira elevação nasce do cumprimento voluntário e lúcido do dever. Assim, essas duas tradições convergem ao afirmar que somente pelo esforço moral constante e pela fidelidade à verdade é que o ser humano alcança a plenitude de sua existência. Eis o texto:


O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, a regra pela qual o homem deve conduzir-se nas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever paira acima da Humanidade, inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os grandes

entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, inflexível sempre, ergue-se perante nós, apontando a escadaria do progresso, cujos degraus se perdem em alturas incomensuráveis.

O dever não é idêntico para todos; varia segundo nossa condição e saber.

Quanto mais nos elevamos tanto mais a nossos olhos ele adquire grandeza, majestade, extensão. Seu culto é sempre agradável ao virtuoso e a submissão às suas leis é fértil em alegrias íntimas, inigualáveis.


Por mais obscura que seja a condição do homem, por mais humilde que pareça a sua sorte, o dever domina-lhe e enobrece a vida, esclarece a razão, fortifica a alma. Ele nos traz essa calma interior, essa serenidade de espírito, mais preciosa que todos os bens da Terra e que podemos experimentar no próprio seio das provações e dos reveses. Não depende de nós desviar os

acontecimentos, porque o nosso destino deve seguir os seus trâmites

rigorosos; mas sempre podemos, mesmo através de tempestades, firmar essa paz de consciência, esse contentamento íntimo que o cumprimento do dever acarreta.


Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforços que seguem a própria rota. É por uma tendência natural, resultante dos progressos adquiridos, que se afastam das coisas vis e orientam os impulsos do ser para o bem. O dever torna-se, então, uma obrigação de todos os momentos, a condição imprescindível da existência, um poder ao qual nos sentimos indissoluvelmente ligados para a vida e para a morte.


O dever oferece múltiplas formas: há o dever para conosco, que consiste em nos respeitarmos, em nos governarmos com sabedoria, em não querermos e não realizarmos senão o que for útil, digno e belo; há o dever profissional, que exige o cumprimento consciencioso das obrigações de nossos encargos; há o dever social, que nos convida a amar os homens, a trabalhar por eles, a servir fielmente ao nosso país e à Humanidade; há o dever para com Deus...  O dever não tem limites. Sempre podemos melhorar. É, aliás, na imolação de si própria que a criatura encontra o mais seguro meio de se engrandecer e de se depurar.


A honestidade é a essência do homem moral; é desgraçado aquele que daí se afastar. O homem honesto faz o bem pelo bem, sem procurar aprovação nem recompensa. Desconhecendo o ódio e a vingança, esquece as ofensas e perdoa aos seus inimigos. É benévolo para com todos, protetor para com os humildes. Em cada ser humano vê um irmão, seja qual for seu país, seja qual for sua fé. Tolerante, ele sabe respeitar as crenças sinceras, desculpa as faltas dos outros, sabe realçar-lhes as qualidades; jamais é maledicente. Usa com moderação dos bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social e, quando na pobreza, de ninguém tem inveja ou ciúme.


A honestidade perante o mundo nem sempre é honestidade de acordo com as leis divinas. A opinião pública, é certo, tem seu valor; torna mais suave a prática do bem, mas não devemos considerá-la infalível. Sem dúvida que o sábio não a desdenha; mas, quando é injusta ou insuficiente, ele também sabe caminhar avante e calcula o seu dever por uma medida mais

exata. O mérito e a virtude são algumas vezes desconhecidos na Terra; as apreciações da sociedade quase sempre são influenciadas por paixões e interesses materiais. Antes de tudo, o homem honesto busca o julgamento e o aplauso da sua própria consciência.


Aquele que soube compreender todo o alcance moral do ensino dos Espíritos tem do dever uma concepção ainda mais elevada. Está ciente de que a responsabilidade é correlativa ao saber, que a posse dos segredos de além-túmulo impõe-lhe a obrigação de trabalhar com energia para o seu próprio melhoramento e para o de seus irmãos.


As vozes dos Espíritos têm feito vibrar ecos em si, têm despertado forças que jazem entorpecidas na maior parte dos homens e que o impelem poderosamente na sua marcha ascensional. Torna-se o ludíbrio dos maus, porque um nobre ideal o anima e atormenta ao mesmo tempo; mas, ainda assim, ele não o trocaria por todos os tesouros de um império. A prática da caridade então lhe é fácil; ensina-o a desenvolver sua sensibilidade e suas

qualidades afetivas. 


Compassivo e bom, ele sente todos os males da Humanidade, quer derramar por seus companheiros de infortúnio as esperanças que o sustêm, desejaria enxugar todas as lágrimas, curar todas as feridas, extinguir todas as dores. A prática constante do dever leva-nos ao aperfeiçoamento. Para apressá-lo, convém que estudemos primeiramente a nós mesmos, com atenção, e submetamos os nossos atos a um exame escrupuloso, porque ninguém pode remediar o mal sem antes o conhecer.


Podemos estudar-nos em outros homens. Se algum vício, algum defeito terrível em outrem nos impressiona, procuremos ver com cuidado se existe em nós germe idêntico; e, se o descobrirmos, empenhemo-nos pelo arrancar.

Consideremos nossa alma pela sua realidade, isto é, como obra admirável, porém imperfeita e que, por isso mesmo, temos o dever de embelezar e ornar incessantemente.


Referência: 


DENIS, Léon. Depois da Morte : exposição da Doutrina dos Espíritos: solução científica e racional dos problemas da vida e da morte: natureza e destino do ser humanos; as vidas sucessivas. 28. ed. – 7 imp. Brasília: FEB, 2019.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nível, Prumo e o Ser Consciente

Generalizando informações acerca da simbologia maçônica do nível e do prumo, exprimem que a retidão, em termos práticos na jornada da vida e o conhecimento intelectual e moral são alguns dos meios de conseguir superar tendências e inquietações que tanto afligem o homem. Na Maçonaria, os homens são considerados iguais perante as leis naturais e sociais, sendo que, simbolicamente, é através do Nível que esta igualdade é verificada. É somente através da igualdade, proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais, que a fraternidade torna-se possível de ser alcançada. Em suma, o papel do Nível é controlar a força criadora do homem, direcionando sua vontade para propósitos úteis. Simbolicamente, o Prumo possibilita verificar a correta fundamentação do crescimento intelectual, trazendo o conhecimento necessário para possibilitar a aplicação precisa da força através da razão, denotando a profundidade exigida para nossas observações e estudos, de forma a garantir...

O maçom na escada de Jacó. Em qual degrau você está ?

                                                           Há irmãos que preocupam-se mais em galgar os graus maçônicos e esquecem que o mais importante é galgarem os degraus da Escada de Jacó, que simbolicamente representa para a maçonaria o caminho certo para o irmão seguir. Só conseguirão o intento se subirem com fé e praticar a caridade onde a mão esquerda não saiba o que fez a direita. E como sabemos, que há irmãos de diferentes graus evolutivos neste mundo, é compreensível que muitos se encontrem ainda em degraus ainda baixos da escada. Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição a que tenham alcançado: Espíritos puros, que atingiram a perfeição máxima; bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas pa...

O ramo de acácia amarela e o ramo de videira.

Algumas semelhanças entre o significado simbólico maçônico da acácia amarela e o ramo de videira, acepção simbólica do espiritismo.       A Acácia foi tida  na antiguidade, entre os hebreus, como  árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A Acácia é  inicialmente um símbolo da verdadeira Iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura. O ramo da acácia amarela,representa a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza. Esperando-se do maçom, uma conduta pura.          O desenho de uma cepa, com a uva, aparece no frontispício de O Livro dos Espíritos, um clichê que reproduz o desenho feito pelos próprios Espíritos, em Prolegómenos, prólogo por eles assinado: Santo Agostinho, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, dentre outros que informaram:  “ Porás no ca...