Falar dos mistérios sem estar apto seria profanação, e os profanos não podem penetrar no templo iniciático do Conhecimento. Isso faz-nos lembrar outra faceta deste ensinamento. O Mestre dos mestres utiliza-se de uma fraseologia tecnicamente especializada na arquitetura (que veremos surgir, mais explícita em Mat. 21:42, Marc.12:10 e Luc. 20:17).
Ensina-nos o Cristo que será "edificada" por Ele, sobre a "Pedra", a ekklêsía, isto é, o "Templo". Ora, sabemos que, desde a mais remota antiguidade, os templos possuem forma arquitetônica especial. Na fachada aparecem duas figuras geométricas: um triângulo superposto a um quadrilátero, para ensinamento dos profanos.
Profanos é formado de PRO = "diante de", e FANUM = "templo". O termo originou-se do costume da Grécia antiga, em que as cerimônias religiosas exotéricas eram todas realizadas para o grande público, na praça que havia sempre na frente dos templos, diante das fachadas. Os profanos, então, eram aqueles que estavam "diante dos templos", e tinham que aprender certas verdades básicas.
Ao aprendê-las, eram então admitidos a penetrar no templo, iniciando sua jornada de espiritualização, e aprendendo conhecimentos esotéricos. Daí serem chamados INICIADOS, isto é, já tinham começado o caminho. Depois de permanecerem o tempo indispensável nesse curso, eram então submetidos a exames e provas. Se fossem achados aptos no aprendizado tornavam-se ADEPTOS (isto é: AD + APTUS). A esses é que se refere o Mestre divino, Jesus, naquela frase citada por Lucas "todo aquele que é diplomado é como seu mestre" (Luc. 6:40;)
Os Adeptos eram os diplomados, em virtude de seu conhecimento telúrico e prático da espiritualidade. O ensino revelado pela fachada é que o HOMEM é constituído, enquanto crucificado na carne, por uma tríade superior, a individualidade eterna, que deve dominar e dirigir o quaternário (personalidade do indivíduo para onde passa sua consciência, enquanto se encontra crucificada no corpo físico). É chamado quaternário porque se subdivide em quatro partes:
1 - O intelecto (também denominado mente concreta, porque age no cérebro físico e através dele);
2 - O astral, plano em que vibram os sentimentos e emoções;
3 - O duplo etérico, em que vibram as sensações e instintos;
4 - O corpo físico ou denso, que é a materialização de nossos pensamentos, isto é, dos pensamentos e desejos do Espírito, acumulando em si e exteriorizando na Terra, todos os efeitos produzidos pelas ações passadas do próprio espirito.
Quando o profano chega a compreender isso e a viver na prática esse ensinamento, já está pronto para iniciar sua jornada, penetrando no templo. No entanto, o interior dos templos (os construídos por arquitetos que conheciam esses segredos), o interior difere totalmente da fachada: tem suas naves em arco romano, cujo ponto chave é a "pedra angular", o Cristo (cfr. Mat. 21:42,. Marc. 12:10; Luc. 20:17,. Ef. 2:20; 1 Pe. 2:7; e no Antigo: Job. 38:6; Salmo 118:22: Isaías, 28:16, Jer. 51:26 e Zac. 4:7).
Sabemos todos que o ângulo da pedra angular é que estabelece a "medida áurea" do arco, e portanto de toda a construção do templo. Assim, os que já entram no templo ("quem tem olhos de ver, que veja"!) podem perceber o prosseguimento do ensino: o Cristo Divino é a base da medida de nossa individualidade, e só partindo Dele, com Ele, por Ele e Nele é que podemos edificar o "nosso" Templo eterno.
Infelizmente não cabem aqui as provas matemáticas desses cálculos iniciáticos, já conhecidos por Pitágoras seis séculos antes de Cristo. Mas não queremos finalizar sem uma anotação: na Idade média, justamente na época e no ambiente em que floresciam em maior número os místicos, o arco romano cedeu lugar à ogiva gótica, o "arco sextavado", que indica mais claramente a subida evolutiva.
Aqui, também, os cálculos matemáticos nos elucidariam muito. Sem esquecer que, ao lado dos templos, se erguia a torre ... a Torre edificada sobre a Pedra é inabalável em seus alicerces, quando estivermos sintonizados com Jesus, o Mestre divino.
O texto de Carlos Torres Pastorino ilustra perfeitamente que "profano" é apenas aquele que ainda se encontra na praça, diante da fachada, vivendo as experiências externas antes de, quem sabe um dia, ser admitido no interior do templo.
Portanto, dentro da linguagem maçônica, "profano" significa única e exclusivamente "aquilo que está fora do templo" ou "aquele que não é iniciado". Não há qualquer intenção pejorativa, ofensa ou julgamento moral. É apenas um termo técnico e impessoal para diferenciar o espaço ritualístico e os membros da Loja do restante da sociedade e da vida cotidiana.
Referência :
PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho. Brasília: Comunhão Espírita de Brasília, 2011. v. 4.

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