Não é raro ouvir do
povo que nas reuniões maçônicas exista um bode. Que este animal teria alguma função
na maçonaria, sendo o emprego de retirar o sangue para determinados fins, como
a mais comum das tolices proferidas por pessoas completamente alheias sobre a
sublime ordem. Se há um bode ou não, bastaria o leitor utilizar um pouco de seu
raciocínio, e terá a resposta. Por que estas estórias do bode preto como espectador nas reuniões secretas e outras conversas pitorescas ainda persistem no imaginário popular?É grande o número dos
desinformados julgarem sem justiça a maçonaria e também o espiritismo. Digo “desinformados”
porque muitos sequer averiguam se o que ouvem é verdade. Além disso, existem alguns "instruídos" que fingem não saber sobre determinado assunto por
interesses escusos. Motivos puramente materialistas ou exibicionistas,
aproveitando-se da atual ignorância e superstição de um povo que sofre para
encontrar uma luz no fim do túnel de suas tribulações.
A cultura é um atributo
do homem e se constitui a partir das relações e das experiências com o mundo,
como os grupos sociais, a tradição, os costumes, o meio ambiente, a religião
etc. A difusão de boas ideias resulta em reformas que reduzem a violência por
vários caminhos. O mais óbvio é o desmascaramento da ignorância e da
superstição, grandes males que cercam o homem.
Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, tanto mais se sente o que falta, sem que, entretanto, se possa ainda definir claramente o que seja: é isso efeito do trabalho íntimo que se opera em prol da regeneração. Surgem desejos, aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor.
Algumas maneiras de galgar o degrau
da moralidade foram ditas pelo mestre Allan Kardec, na revista espírita de
1863, mensagem dada por La Fontaine (espírito), intitulada “Conhecer a si
mesmo”.
Entre os seus sábios conselhos encontramos:
a. “O que muitas vezes impede que vos corrijais de um
defeito, de um vício, é, certamente, o fato de não perceberdes que o tendes”.
Ou seja, o desconhecimento de si impede que identifiquemos nossas
imperfeições ou limites morais para que possamos mudar para melhor, aliás,
nenhuma reforma considerável é possível sem o conhecimento exato a respeito do
que merece mudança.
b. “Enquanto vedes os menores defeitos do vizinho, do irmão,
nem sequer suspeitais que tendes as mesmas faltas, talvez cem vezes maiores que
as deles.” A falta de indulgência escurece nossa visão sobre nós
mesmos. Quando nos fazemos juízes inveterados dos outros, gastamos tempo e
energia que poderiam ser destinados à exploração do planeta interno e, com
isso, passamos a perder o foco da atenção sobre nós mesmos que, no caso de
nossa progressão espiritual, é o que mais importa.
c. “Deveríeis analisar-vos um pouco como se não fôsseis vós
mesmos”. Equanimidade parece ser uma palavra-síntese dessa frase.
Cabe-nos uma análise sincera e imparcial de nossa natureza moral tornando
a subjetividade objeto de exame, fazendo o exercício mental de “olhar de
fora" para cá dentro do ser.
d. “Sede francos convosco mesmos; travai conhecimento com o
vosso caráter (...).” A franqueza gera a desilusão, o que de fato é uma
maravilha. É melhor ficar momentaneamente desapontado consigo por descobrir-se
equivocado do que passar uma reencarnação em permanente autoengano. Aliás, o pensador
espiritualista Hermógenes diz, num de seus escritos, que, se tivesse que fundar
uma religião, ela se chamaria “desilusionismo”.
http://www.oconsolador.com.br/ano7/323/ricardo_baesso.html
PIRES, J. Herculano. O Espírito e o Tempo. 3.ed. São Paulo:EDICEL, 1979
PIRES, J. Herculano. O Espírito e o Tempo. 3.ed. São Paulo:EDICEL, 1979
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