O primeiro algoz de Hiram Abiff, Jubelas, era a própria ignorância em ação, um fato que nos recorda a advertência do Mestre dos mestres:
"Não situeis a lâmpada sob o alqueire" (Mc 4:21).
Ao nos convocar ao ministério permanente da luz, o Cristo nos convidava à claridade incessante para que as sombras não nos senhoreassem a vida. Afinal, a ignorância, como um denso manto de sombras, estende-se pelo mundo em quase todas as direções, transformando o raciocínio em instrumento de crueldade e o coração em vaso de fanatismo. Ela amortalha as consciências, alfabetizadas ou não, cristalizando-as em deploráveis processos de desequilíbrio e delinquência, que vão desde a guerra entre nações cultas até o primitivismo mais selvagem, metamorfoseando templos em piras de ódio e lares em ribaltas de insensatez.
Essa constatação de que a escuridão atinge frequentemente as mentes letradas ganha contornos muito precisos na obra de Joanna de Ângelis. No livro *Dias Gloriosos*, a benfeitora destaca que a ignorância presunçosa responde por incontáveis males que afligem o ser humano. Trata-se não apenas daquela ignorância que resulta da falta de instrução, mas, sobretudo, daquela que se traveste de conhecimento geral e profundo em torno de questões com as quais não está familiarizada, fingindo tudo saber por efeito de algumas poucas informações que lhe são peculiares.
Arrogante, esse pseudossábio torna-se tão perigoso no relacionamento social quanto aquele que se encontra no aprendizado mais simples. Na verdade, aquele que desconhece as questões, mas é destituído de fatuidade, abre-se à luz. Mais do que instruir-se, o aprendiz humilde adquire a exata dimensão do quanto necessita aprender, predispondo-se ao trabalho.
Já o pseudossábio, acreditando-se possuidor da verdade e filtrando tudo pelos deficientes equipamentos que o envaidecem, põe a perder muitas florações de esperança e de amor, somente porque não lhe parecem compatíveis com os seus critérios limitados de compreender o mundo. Tornando-se mesquinho em sua descabida vaidade, ele arremete com falsa superioridade contra tudo quanto lhe fere a susceptibilidade, especialmente em torno de assuntos que ignora e não tem a grandeza de reconhecer.
Diante desse nevoeiro de arrogância e primitivismo que nos empana o entendimento egresso da animalidade primeva, condoeu-se naturalmente o Senhor, exortando-nos a redimir a Terra desse cativeiro de sombras. Desse modo, embora seja justo procurarmos os recursos terrestres necessários, como o alimento e o agasalho, a luz do conhecimento superior pede exteriorização incansável. É imperativo que, através do sentimento e da ideia, da palavra e da ação, pelo exemplo e pela atitude, venhamos a irradiá-la sob a inspiração do amor infatigável. Somente assim o trabalho, o progresso, a fraternidade e o verdadeiro discernimento poderão dissipar a presunção, livrando-nos definitivamente de todo o mal.
Referências:
https://www.thesquaremagazine.com/mag/article/202307who-was-hiram-abiff/
BATISTA, Jean Charles de Oliveira. Os assassinos. Trabalho apresentado no Tempo de Instrução. Guanambi, BA, 6 abr. 2023. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/706873933/OS-ASSASSINOS. Acesso em: 14 jun. 2026.
FRANCO, Divaldo Pereira. Dias gloriosos. Pelo espírito Joanna de Ângelis. Salvador: Leal, 2002.
XAVIER, Francisco Cândido. Luz e vida. Pelo espírito Emmanuel. Editora: GEEM, 1985.

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