Em continuidade à exploração sobre o simbolismo dos algozes de Hiram Abiff, detemo-nos na figura de Jubelos, o discípulo que espreitava, com objetivos escusos, na porta ocidental do Templo. Sob uma perspectiva social e psicológica, Jubelos representa o fanatismo, que se configura como uma torpe descaracterização da fé e a exteriorização da falência da faculdade de pensar. O fanatismo opõe-se à verdadeira natureza espiritual do ser humano, pois, enquanto a descrença sistemática é um conflito emocional que inquieta o equilíbrio da razão, a fé verdadeira manifesta-se de forma natural e racional.
Ela é, simultaneamente, uma herança psicológica, ínsita no homem, e uma aquisição intelectual, aprimorada pelo crivo do exame, da lógica e do raciocínio. A fé religiosa surge, portanto, espontaneamente ou resulta de uma elaboração mental confirmada pelos fatos; como conquista pessoal, ela funciona como uma luz sempre acesa, que descortina horizontes amplos e faculta a paz necessária para a luta cotidiana.
Para que a fé cumpra seu papel transformador, é essencial que ela seja vitalizada pelo amor, a fim de que se traduza em ações concretas voltadas ao bem. Como parte ativa da natureza espiritual, a fé exige o combustível da oração, da meditação e do esforço contínuo para a sua preservação, não sendo necessário submetê-la a experimentos ou avaliações constantes, pois ela se faz presente nos momentos hábeis. Ao aprender a crer nos próprios valores, o homem, que crê por instinto, por assimilação e pela razão, coloca sua fé em Deus e absorve a ideia do bem, alinhando-se ao seu propósito original, já que foi criado para uma vida feliz e saudável. Evitar a postura de Jubelos, esse fanatismo que estreita a visão e perverte a intenção, é o caminho fundamental para manter a lucidez e a espiritualidade em pleno equilíbrio.
Assim é mencionado no livro “Entrega-te a Deus”, onde Joanna de Angelis assevera que a humanidade vive hoje um período de descobertas e de constatações, igualmente de contestações dos velhos paradigmas que se encontram ultrapassados, e a liberdade de consciência, como de conduta, é uma conquista que honra a civilização; já não há como retroceder nessa área, e toda ideia que se pretenda impor sem o valioso contributo da lógica e da razão tende a perder o vigor após o enganoso período de vitória, desaparecendo na voragem do tempo, pois ninguém pode deter o curso do progresso e da liberdade.
Quando se é portador de ideais de enobrecimento, possui-se a visão clara da realidade e as suas propostas são oferecidas como forma de desenvolver o progresso, de libertar as consciências do obscurantismo, ampliando os horizontes da compreensão humana em torno da vida, do belo e da harmonia. O idealista legítimo possui a compreensão de que o êxito do seu empreendimento é conseguido a grande esforço, mediante as demonstrações de sua legitimidade pelo exemplo de equilíbrio de que se faz portador; quando impõe, por qualquer razão, a sua forma de ser e de compreender, gera conflito e, nesse caso, cria oposição inevitável.
Sempre haverá, sem dúvida, opositores no mundo às ideias novas, porque esses que assim se comportam estão satisfeitos no estágio em que estacionam e, ante os novos desafios, tornam-se-lhes naturais inimigos, o que é compreensível, mas serão vencidos pela força esmagadora dos fatos que se impõem, passado o período de luta e de zombaria que sempre ocorre. Não há, pois, razão, nunca, para manterem-se atitudes de intolerância e de fanatismo, porque a vida é feita de bênçãos, de equilíbrio e de beleza, e quaisquer atividades que se apresentem de maneira diversa estão fadadas ao esquecimento e à desintegração.
Referências:
ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); FRANCO, Divaldo Pereira (médium). Entrega-te a Deus. Salvador: Intervidas, 2024.
ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); FRANCO, Divaldo Pereira (médium). Filho de Deus. Salvador: Leal, 2002.
https://www.thesquaremagazine.com/mag/article/202307who-was-hiram-abiff/
BATISTA, Jean Charles de Oliveira. Os assassinos. Trabalho apresentado no Tempo de Instrução. Guanambi, BA, 6 abr. 2023. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/706873933/OS-ASSASSINOS. Acesso em: 14 jun. 2026.

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