Observando o cotidiano da internet, é comum deparar-se com pessoas perguntando sobre procedimentos para ingressar na Maçonaria. Diante desse cenário de curiosidade, indago qual seria o motivo verdadeiro por trás do desejo de ingressar nessa associação. Será que esses interessados almejam uma genuína mudança interior, movidos pela necessidade de autoconhecimento, ou buscam apenas saciar uma curiosidade passageira? Não raramente, os ditos aventureiros aproximam-se atraídos pelo fascínio do mistério, enquanto outros alimentam interesses escusos de poder, status ou vantagens sociais.
Essa movimentação reflete o torvelinho de uma sociedade globalizada e automatizada, onde a mídia alucinada dita comportamentos e empurra o indivíduo para aglomerações vazias de sentido. Sentindo a personalidade agredida por valores impostos sem livre escolha, o ser humano experimenta um profundo transtorno comportamental gerado pela discordância íntima. Como consequência dessa desestruturação coletiva, as pessoas afastam-se de si mesmas, perdendo o contato com a realidade interior e negligenciando funções vitais do espírito.
Muitos dos conflitos que afligem o ser humano decorrem dos padrões de comportamento equivocados que ele próprio adota em sua jornada terrestre, copiando modelos do mundo sem analisar as devidas consequências. Frequentemente, negligencia-se o progresso individual, acreditando-se erroneamente que os próprios deslizes são menores que os alheios, que o tempo trará isenção pessoal ou que a severidade das leis da consciência atingirá somente os outros.
Em meio a esse ruído existencial e à falta de momentos de solitude, a busca por instituições tradicionais surge muitas vezes como uma tentativa de fuga ou de preenchimento artificial. O verdadeiro aprimoramento, contudo, exige o despojamento dos apegos superficiais e a coragem de olhar para dentro de si, em silêncio e reflexão profunda. Sem essa reforma íntima prévia, qualquer associação externa torna-se infrutífera, repetindo na nova vivência os mesmos vícios, orgulhos e ilusões do mundo exterior. É preciso, portanto, questionar as próprias motivações antes de bater a qualquer porta, compreendendo que a verdadeira luz e a verdadeira iniciação partem sempre da transformação sincera do próprio coração.
O aventureiro acha fácil desistir do esforço nobre para comprazer-se novamente nas manifestações inferiores, pois descobre que os estímulos e gozos de suas paixões vaidosas convertem-se rapidamente em ácido e fel quando confrontados com a disciplina exigida.
A verdadeira virtude ensina que, sempre que surgir a oportunidade, façamos o bem por menor que pareça, gerando e aproveitando o momento útil, sem aguardar realizações grandiosas, títulos ou glorificações pelos acertos; afinal, o maior reconhecimento que se pode obter não é o aplauso profano, mas a consciência tranquila.
Toda ascensão moral exige esforço, adaptação e profundo sacrifício, ao passo que toda queda e desistência resultam em prejuízo e desencanto. A mudança para melhor é urgente, mas não virá como um passe de mágica a partir da adesão a um grupo: compete a cada um de nós, no silêncio de nossa própria solitude, decidir a partir de quando e como ela se dará em nossa existência.
Referências:
ANGELIS, Joanna de (Espírito). O despertar do Espírito. [Psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: Leal, 2007.
ANGELIS, Joanna de (Espírito). Vigilância. [Psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: Leal, 2014.

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