Embora a precisão histórica da lenda de Hiram Abiff permaneça incerta, seu significado alegórico dentro da Maçonaria é inegável. A história conta que, estando a construção do templo quase completa, quinze Companheiros conspiraram entre si para obter de Hiram Abiff, a Palavra de Mestre. Logo de início, três desistiram do plano, restando doze. Pouco depois, nove também recuaram, sobrando apenas três executores: Jubelas, Jubelos e Jubelum. Sabendo que o Mestre Hiram sempre ia orar dentro do templo ao meio-dia, hora em que os obreiros iam descansar, os três emboscaram-no, postando-se nas saídas: Jubelas na porta meridional, Jubelos na porta ocidental e Jubelum na porta oriental.
Hiram demonstrou imensas virtudes e um compromisso inabalável em preservar o conhecimento sagrado que lhe fora confiado. Sua firme recusa em revelar a Palavra de Mestre àqueles que não estavam aptos, mesmo diante da morte, exemplifica o supremo valor da integridade moral. Por se manter fiel aos seus princípios, ele foi covardemente assassinado. Os três algozes representam, em suas condutas isoladas, a uníssona manifestação dos piores estados de espírito da humanidade: a Ignorância, o Fanatismo e a Ambição.
Contudo, a culpa por essa tragédia não se restringe aos que desferiram os golpes. Nunca é demais mencionar que a desistência dos outros doze participantes iniciais do complô não lhes retira a responsabilidade. Eles cometeram o crime em sua modalidade omissiva, pois o dever de cada um era abortar a conspiração e revelar de plano a trama indecorosa, evitando o sacrifício do Mestre. Por conseguinte, todos foram, de certa forma, autores do assassinato. A indiferença desses companheiros "arrependidos" é o símbolo do descaso, do comodismo, da rotina e da tolerância abusiva, alertando sobre os males que podem advir da insensibilidade e da omissão.
A saga de Hiram Abiff serve como um poderoso lembrete da importância de manter a ética independentemente das pressões externas, sendo um verdadeiro testemunho da força de caráter e do poder da verdade, virtudes que os maçons aspiram encarnar em suas próprias vidas.
Dando especial atenção ao Companheiro que agiu pela ganância/ avareza, é fundamental que o obreiro atente para esta advertência no Livro da Lei:
“Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui.”* (Lucas, 12:15).
O maçom deve compreender que a avareza e a ganância não se resumem apenas a amealhar dinheiro nos cofres da mesquinhez. É nosso dever fugir da retenção de qualquer possibilidade que não esteja aliada ao espírito de serviço. Pensemos nas próprias águas benfeitoras da Natureza: quando encarceradas e sem a preocupação de gerar benefício, elas costumam formar zonas infecciosas. Da mesma forma, aquele que vive à cata de compensações, englobando-as egoisticamente ao redor de si, não passa de um avaro infeliz. Toda avareza é, em essência, uma centralização doentia que prepara apenas metas de sofrimento.
Devemos nos lembrar daqueles inúmeros homens que, atacados pelo vírus da avareza, muito ganharam em fortuna, autoridade e inteligência. Ao final de suas experiências, porém, amontoaram vantagens para a própria perda. Como consequência dessa centralização, arruinaram-se e conseguiram apenas a perversão daqueles que mais amavam e o ódio de seus vizinhos, envenenando também os que lhes partilharam as tarefas no mundo.
Portanto, não basta ao maçom ter a habilidade e a eficiência para conquistar, nem basta saber pedir. É preciso agir no clima do Mestre dos mestres e espalhar os benefícios de toda posse, que é sempre temporária, para que a nossa própria existência não se torne um obstáculo à paz e à alegria dos outros.
Que fique gravado em nosso espírito: a vida do homem não consiste na abundância daquilo que ele retém para si, mas sim na abundância dos benefícios que ele esparge e semeia pelo mundo, atendendo fielmente aos desígnios do Supremo Senhor.
Referências:
XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de luz. Ditado pelo espírito Emmanuel. Editora: FEB.
https://www.thesquaremagazine.com/mag/article/202307who-was-hiram-abiff/
BATISTA, Jean Charles de Oliveira. Os assassinos. Trabalho apresentado no Tempo de Instrução. Guanambi, BA, 6 abr. 2023. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/706873933/OS-ASSASSINOS. Acesso em: 14 jun. 2026.

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