O Maço e o Cinzel são as ferramentas fundamentais que o iniciado utiliza para desbastar a pedra bruta do caráter, onde o Maço representa a força motriz da vontade e o Cinzel atua com a precisão necessária para aparar imperfeições.
Para que essa transformação ocorra, a polidez surge como base educativa, servindo para o florescimento das virtudes como a justiça e a prudência, as quais seriam inúteis sem a devida cortesia.
No entanto, é preciso cautela: termos como gentileza e polidez pressupõem atitudes nobres, mas nem sempre refletem ética.
Uma pessoa pode agir com civilidade e fineza de maneiras sem que isso signifique a presença de bondade real ou honestidade.
Quando a polidez é apenas uma máscara de etiqueta, sem ressonância na alma, ela desmorona facilmente diante de provocações. Nesses momentos de teste, as mazelas internas rompem a aparência, expondo feras que apelam para o grito ou a força bruta. Figuras hipócritas assemelham-se a sepulcros caiados, que por fora parecem justos, mas por dentro guardam falsidade e maldade.
Os muito polidos, prisioneiros de regras e conveniências, sacrificam a verdade para evitar desagradar aos outros no cotidiano.
Em contrapartida, o verdadeiro Aprendiz busca usar sua autenticidade com moderação, bom senso e firmeza, sem ser vil ou piegas.
O trabalho maçônico, aliado ao estudo filosófico e ao amparo dos Mestres, exige que o desbaste ocorra na essência, não na superfície.
Não se reconstrói uma estrutura moral focando apenas na estética das aparências, pois ninguém se sustenta em bases falsas. A verdadeira evolução espiritual limpa os vícios profundamente, impedindo que o verniz social esconda um mau caráter.
Portanto, as ferramentas do Maço e do Cinzel devem ser aplicadas para lapidar o indivíduo de maneira genuína, de dentro para fora.
Só assim a gentileza deixa de ser um verniz artificial e passa a se exteriorizar naturalmente, tão natural quanto o ato de respirar.
Fazer o Bem, desinteressadamente, é a chave para a polidez, ou seja, a verdadeira ascensão de um maçom. Lembrando o que disseram os espíritos benevolentes da humanidade, no Livro dos Espíritos:
Será suficiente não se fazer o mal, para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?
− Não: é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer. (Pergunta 642, de O Livro dos Espíritos − Allan Kardec).
Assim, temos por obrigação e dever para com o próximo evitar prejudicá-lo seja de que jeito for; ainda fazer o bem no limite das forças, isso é, o máximo possível dentro da nossa capacidade para que não venhamos a responder pelos males que nascerem da nossa omissão.
Eis um texto de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, que reflete esta iniciativa em desbastar as arestas antigas, que buscamos nos livrar:
O cinzel do tempo
“Não te canses de fazer o bem. Quem hoje não te compreende a boa vontade, amanhã te louvará o devotamento e o esforço.” (Emmanuel)
O bem realizado é o cinzel do tempo: nem todos assim o compreendem; mas que isso não nos seja motivo de desespero ou desânimo!
No tempo exato, quando não nos houvermos cansado de fazer o bem, os beneficiados reconhecerão nosso devotamento e esforço. Mas…
… Se não os reconhecerem (e aí está a mensagem da Bem-Aventurança), Deus os contabilizará.
Assim ocorre com lagartas antes de serem borboletas; com o ferro, perante o fogo e o malho;
Com a semente na cova escura e úmida; e com o mármore bruto antes de converter-se em arte.
A feiura da lagarta; malho e fogo; a cova escura e o cinzel, que pareciam ser-lhes algozes…
… Mostram-se como o cinzel do bem que o tempo lhes presenteou:
A bela planta, a borboleta, a obra de arte… são produtos da perseverança do bem burilado com esforço no tempo.
* * *
Nada se perde nas tarefas do bem; pois não há bem pequeno, médio ou grande: todo ele é robusto!
Quantos filhos rebeldes não reconheceram, mais tarde, o esforço de seus tutores para forjá-los no bem? Quantos ‘nãos’ doídos foram necessários para temperar índoles?
Se procurarmos na história verificaremos exemplos a mancheias disso:
De filhos que reconheceram a abnegação de seus pais, após muitos anos de lapidação, burilamento, exemplificação, anulação…
… Tal como na dilaceração do cinzel; no peso do malho e no calor do fogo; na resignação e compreensão da lagarta; e no silêncio da cova fria, úmida e fértil.
* * *
O bem é produto de nossa vontade, perseverança, cansaço. O mal já não nos requisita tanto!…
(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 124 Não te canses; 1ª edição da FEB.)
Referências:
XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 1. ed. Rio de Janeiro: FEB.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Paidéia, 2018.
https://www.oconsolador.com.br/ano12/564/ca1.html
https://www.freemason.pt/o-maco-e-o-cinzel-simbolos-maconicos/
https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2017/02/08/o-abrasivo-que-afia-o-cinzel/
https://www.oconsolador.com.br/31/waldenir_aparecido_cuin.html
https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1130&let=G&stat=0

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