Incontáveis indivíduos, de maneira inconsciente, creem-se merecedores de tudo, fechando-se no egoísmo e fugindo de suas responsabilidades. Quando contrariados pela realidade, acusam os outros, tornam-se um fardo social e esquecem-se de que a vida é um desafio à coragem e ao valor moral. Ninguém tem o direito de fruir sem trabalhar, pois o verdadeiro dever é o que nos conduz, palmo a palmo, na empreitada da evolução, exigindo que sejamos úteis, favoreçamos o progresso e vivamos com dignidade.
Nesse exato compasso de renovação moral e esforço prático, os ensinamentos do Sublime mestre alinham-se de forma integral aos três grandes deveres transmitidos ao maçom recém-iniciado, tornando a evolução espiritual uma obra de ação contínua: o dever para com o G:.A:.D:.U:., pois assim como Jesus nos chama a respeitar a escala de valores divinos em plena sintonia com o equilíbrio cósmico, o maçom tem o dever de reverenciar o Grande Arquiteto do Universo, o que significa reconhecer a oportunidade da vida e obedecer às Suas leis, glorificando a obra da criação por meio do próprio esforço e trabalho na "vinha"; o dever para com o próximo, onde o serviço e a utilidade social cobrados pelo Mestre traduzem-se na obrigação de agir no esquadro, não explorando o esforço de outrem, não sendo rude ou ingrato, e tratando os irmãos da exata forma como gostaríamos de ser tratados, sendo afáveis no êxito e solidários no esforço; e o dever para consigo mesmo, já que a advertência de Jesus contra a rebeldia, a agressividade e a ociosidade reflete-se no dever íntimo de evitar a intemperança e os excessos, visto que somente ao dominar as próprias fragilidades e não cessar de crescer interiormente o indivíduo garante a lucidez e a disciplina necessárias para não abandonar a sua empreitada e cumprir, com retidão, os seus deveres perante a vida.
Jesus, o Mestre dos mestres, em Sua inolvidável parábola dos dois filhos, deixou claro que a ação resultante do dever deve sempre predominar sobre a mera intenção ou promessa vazia. O Mestre não nos induz à alienação, mas estabelece uma pauta de conquistas onde a estagnação é um crime contra a própria consciência, convocando-nos a ser servidores do mundo para alcançarmos a verdadeira harmonia. Mateus recorda que “havia um homem que tinha dois filhos. Falou ao primeiro: “Filho, vai hoje trabalhar na vinha”, ao que ele respondeu: “Sim, senhor”; porém, refletindo, mais tarde, resolveu não ir. Ao segundo filho fez a mesma proposta e ele disse: “Não quero”. Todavia, arrependido, foi. “— Qual dos dois atendeu a vontade do pai?”, pergunta o Mestre. E os interrogantes responderam a Jesus: “O segundo”.
Defrontamos, nessa experiência, a ação e a promessa, o fato e a intenção. A ação deve predominar porque é resultante do dever, e para ela não se tornam necessárias palavras melífluas ou confortadoras, mas sim a decisão para realizá-la corretamente.
Como é mencionado no Evangelho segundo o espiritismo, cap. XVII, item 7: “O dever é o resumo prático de todas as especulações morais; é uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta; é austero e brando; pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, conserva-se inflexível diante das suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo.” Enfim, a verdadeira conquista humana, seja pela ótica cristã ou pela senda maçônica, exige o sacrifício da ação disciplinada, transformando o homem de bem em um obreiro ativo do progresso universal.
ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Jesus e atualidade. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2014. (Série Psicológica Joanna de Ângelis, v. 1).
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Karine Rutpaulis. 6. ed. São Paulo: Mundo Maior Editora, 2012.

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